sexta-feira, 17 de abril de 2009

O projeto oficial do meu projeto paralelo


- Depois de alguém tempo, um projeto que se iniciou há alguns anos finalmente torna-se real (ou seria virtual?). Um site nerd.
- Sempre tive o que dizer, ainda mais nesta área da minha vida, sendo eu um Nerd assumido. Filmes, quadrinhos, Vídeo-game, RPG e outras coisas que fazem da vida um lugar legal.
- Assim, após alguns anos conversando e discutindo, eu e um amigo conseguimos por no ar este projeto, o Liga Nerd, que mudou de nome tantas vezes quanto nossas reuniões eram freqüentes.
- Não pretendo deixar o Higiene Fecal. Aqui posso colocar pensamentos mais ousados e obscuros, reflexões longe da proposta do Liga Nerd. Gosto de escrever aqui, lá escreverei noticias e informações, algumas pesquisas e apontamentos. Mais direcionado ao mundo Nerd e seus hobbys.
- Mas faço aqui a ponte entre o Higiene Fecal e o Liga Nerd. Aproveitando para fazer uma propaganda: Escreverei uma espécie de Livro no Liga Nerd, o primeiro Capitulo já esta lá. Tenho consciência que ele não deve estar o melhor de todos, mas pelos que leram até agora recebi boas criticas, e espero desenvolver a história até o fim. Afinal, um livro é bem diferente de um conto.
- No mais, APROVEITEM!

WWW.LIGANERD.COM.BR

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Futuro do pretérito*

- Semanas de prova. A vida começa a entrar em parafuso. Parafuso é um termo técnico para loucura diária, stressante e louca em um liquidificador. É um espaço tempo paralelo para o humor e os planos, nada mais parece ser possível. O pós semana de provas simplesmente nunca virá, como se nossa vida encurtasse ao ponto de que, o futuro se torna imperceptível, somente aquele dia final da prova, aquele dia da ultima prova, que você teve que ler 100 paginas para fazê-la, perdendo horas de sono e produtividade no trabalho. O mundo começa a girar em um sopro de insanidade e perturbações.
- Tive um sonho que me levava para o futuro, e ele era um papel em branco para colocar meu nome.
- Lembro quando estava no colégio, fazia 10 provas: matemática, português, inglês, química, biologia, física, história, geografia, educação física, artes, e eram tranqüilas, podia fazer uma por dia, duas as vezes, quem sabe 3? E lá íamos nós, líamos 2 capítulos, e respondíamos com x varias opções, as vezes, em situações mais complicadas, escrevíamos, mas lembro que não sentia que o mundo ia acabar, parecia simplesmente que no fim, eu ia passar de ano. Ou seja, eu ainda tinha alguma perspectiva de futuro. Agora, tenho 4 ou 5 provas, centenas de textos para ler, e a certeza que depois, nada mais virá.
- Sonhei que eu lia um livro, e as paginas não tinham nada mais que uma assinatura em vermelho e um numero escrito de forma incompreensível no canto superior direito.
- Ontem mesmo eu fui fazer uma prova, não havia conseguido ler todos os textos, vi a professora entregando as folhas de provas para os colegas do outro lado da sala, veio na minha cabeça um mundo preto e branco, forcas e guilhotinas por todos os lados, e a possibilidade de pagar 25 reais e refazer a prova. Visualizei minha carteira sem dinheiro e meu corpo inerte em duvida em ir em direção a uma forca ou uma guilhotina, e um forjo com estacas, que eram na verdade canetas, se abrindo sobre meus pés, e eu na duvida se caia nele ou simplesmente saia dali e dava um jeito nisso tudo. Para meu susto, minha amiga a minha frente, também estava nervosa com a prova, por um lapso de momento, naquele cenário caótico de tortura e dor, com cordas e laminas, eu vi um vulto que poderia ser ela, ou um outro eu também em duvida. Vai saber? E juntos saímos da sala.
- Não sei se fiz certo ou errado, já esta feito, agora terei que achar grana para refazer a prova, uma grana que deveria ser usada para engrossar as fileiras de filmes e livros na minha estante, e agora, se perderá em um tufão que acabou culminando em minha saída daquela sala.
- Acordei de um estranho sonho quando eu saia da minha carteira, pisava em um tapete branco, que aprecia ser feito de papel, e via atrás das montanhas um sol se elevando sobre um dia nublado. Parecia que, em meio as lisas nuvens brancas tinha algum rabisco feito em caneta vermelha. Abri meus olhos e percebi algo importante. Preciso, urgentemente, ir para uma montanha.

*Eu sei que existe uma história do Batman com esse nome. Eu adorei a idéia da frase.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Lapso

Meu ouvido perspicaz, curioso e xereta, me trouxe uma estranha conversa. Na verdade, ele pescou um fragmento que, creio eu, a autora das palavras provavelmente se ofenderia com esse texto. Mas acho que é um bom exemplo de como o cotidiano pode nos dar boas idéias.

Estava eu saindo do ônibus, e três mulheres passam por mim na direção oposta, capto este fragmento de conversa que alongo para nosso deleite.

- Menina, vi ontem uma frera... nossa, como é o nome mesmo? Tem um nome certinho.
- Freira? Madre?
- Não!
- Carola, irmã...
- Que? Não to falando de frera de igreja... é parecida mas é outra...
- Missionária, guerreira... Celibatária, virgem, muçulmana...
- Do que você ta falando? Do falando de FRERA, daquelas de mercadinho sabe?
- De mercadinho? É alguma padroeira é?
- Não! Bah, você ta me deixando confusa. Uma frera, passei na frente dela na rua...
- Na rua? Uma freira? Só pode ser missionária... não consigo pensar em outra... ou você ta falando que viu a Madre Teresa!!!
- Madre Teresa? Do que você ta falando?
- Do que você ta falando!
- De frera ué. Ai, ta na ponta da língua, daqueles que vende coisa de mercado...
- Que vende coisa de mercado? Cruz? Daquelas que faz voto de pobreza? Disimista.
- Que voto de pobreza? Frera faz voto de pobreza agora?
- Acho que faz sim.
- Se faz, não é dessas que eu to falando.
- Não sei, uma freira que não faz voto de pobreza... Judia?
- Judia? De quem?
- De nada. Judia, a mulher do judeu.
- É piada é?
- To tentando te ajudar a lembrar da freira.
- Pois só ta atrapalhando com esse papo de igreja!
- Se não é de igreja do que é?
- Ai, deixa eu lembra, é bem facinho o nome, ta na ponta da língua...
- ...
-Frios!
- Que?
- É! Uma frera de frios, passei na frente hoje mesmo. Tudo coisa boa. Agente podia passar lá depois e...

terça-feira, 7 de abril de 2009

Segunda feira... show do Motörhead no domingo, e la vou eu correndo pegar aquela grana do ingresso no caixa eletronico, quando de repente... sim.. a sensação é a mesma... desamparado e em local estranho. Volto pra casa pensando se estou em tempo de vender algum orgão. Dica do dia: droga de vida.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Um acontecimento Significativo

As forças da natureza se reúnem na intenção de mudar as coisas. Em meio a uma discutição acalorada sobre a vida e a morte, as peripécias e nuançais das próprias escolhas dos seres humanos e tudo mais, houve a necessidade de se chegar a uma conclusão. O debate se resume a duas opiniões: Uma grande catástrofe natural e a criação de algo novo. A quirela se esquenta. Os dois lados simplesmente não se entendem. A administração da época, querendo evitar o conflito maior, pede algo mais sutil. Criar algo novo sempre cria polemicas futuras, afinal, em vez de mudar, às vezes, o fato de algo novo ter surgido torna-se mais interessante do que o próprio algo em si. Por outro lado, uma grande catástrofe faz muita bagunça, muitas vezes são esquecidas com o tempo, e se não forem, a bagunça é bem maior.
Desta forma, um ardiloso e sorrateiro, ou talvez, sábio e sagaz, integrante da reunião sugere a possibilidade de um plano que pode ser algo simples e talvez eficaz, poderia se passar desapercebido e/ou mudar tudo de maneira drástica. Das duas formas, não custava nada tentar. A reunião ficou curiosa com a proposta, todos ali gostavam de sutilezas.
Quando o pequeno se adianta a frente de todos, e fala “Vamos quebrar um pente!”, alguns levam a mãos a boca, outros aplaudem entusiasticamente, certos sujeitos simplesmente ficam em pé, alguns soltam um pequeno sorriso no canto dos lábios, outros proclamam ser absurdo, mas a maioria pergunta para os colegas mais próximos “o que foi que ele disse?”. Por fim, após algumas especulações maiores, o pequeno esmiúça seus planos a todos: seria um único pente, quebrado de maneira incerta na Bulgária. Todos na reunião gostam da palavra incerta, mas nem todos da Bulgária, então trocaram por Suíça. A seqüência de fatos seriam deveras especulativas e tediosas, desta forma, ninguém prestou muita atenção, e somado ao bom discurso, com as palavras certas e o cansaço de todos, a proposta foi aprovada. E assim, tudo se inicia.

Suíça. “Todo mundo na casa falava o que pensava, e entendia o que todo mundo pensava. Não por um estudo cuidadoso e sim por efusões espontâneas da alma. Era uma pequena utopia, um estado de pura transparência.”* Ali, um garoto havia sido adotado a alguns anos. Sua vida se regeu pelas regras da casa, e viveu feliz até o fatídico dia. Sempre amou sua família, e respeitava esta liberdade que tinha. Em volta dele, havia algo que o mundo lá fora negava, algo que ele acreditava como sendo a verdade e a sinceridade. Importantes fundamentos para uma vida. Um dia, quando todos saíram de casa, e ficou somente o garoto, Jean, algo aconteceu. O garoto não percebeu, ninguém percebeu. Não havia o que ter percebido, mas aconteceu. E assim, quando todos voltam, a conseqüência dos atos do que aconteceu se revelam traumáticas e transformadoras. Um pente foi quebrado na estante.
Ao verem o pente quebrado, todos perguntam quem foi que quebrou o pente, e todos ali tinham um álibi, até mesmo Jean, porem, ele era o único em casa. E se alguém poderia ter quebrado o pente, só poderia ter sido ele. As conversas começam, ninguém liga para um pente quebrado, mas para as regras, onde todos poderiam ser sincero e falar a verdade sem medo. E, se o jovem Jean não iria falar que quebrou o pente, seria um desvio da regras. No entanto, ele esta tão convencido de sua verdade, de que não havia sido ele que. Ele não iria mentir para as pessoas que amam pois, falar que havia sido ele, seria violar as regras em que acreditava e nas quais fora educado. Assim surge um conflito da impossibilidade de se firmar uma lógica. Para a família não havia como não ter sido ele, e para ele, não havia como ter sido ele. Com o conflito, houve a punição, e o jovem Jean apanha de seus pais, vendo as lagrimas de sua mãe a fazê-lo, seus irmão ficarem horrorizados com o ato, tão raro sobre aquele teto. Talvez ele ainda lembra-se das palavras de sua mãe “Não queria fazer isso Jacques, não queria.” Ele acreditava nela, ela só o chamava de Jacques quando queria pedir algo, ou desculpas ou algum favor, era uma forma carinhosa de ser tratado.
E, ali, há uma mudança na ordem as coisas.
O garoto descobre que existem duas verdades, a que ele diz, e a que ele é. E não importa como a sociedade seja, sempre haverá diferenças. Não existe transparência completa, sempre haverá obstáculos. Para o mundo surgiu uma nova forma de pensar o homem e a sociedade. Para a família Rosseau, uma solução paliativa para um problema sem muita importância.

Este texto foi inspirado em um acontecimento real, na vida de um autor real. Porem é uma ficção. Obviamente.

*Trecho retirado da obra “História e Literatura” de Robert Darnton

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Entre a Fonte e a Realidade

Meus diários cheios de paginas marcadas e arrancadas só me mostram uma coisa. Meu passado é uma mentira. Vejo riscos e rabiscos de correções e anotações nos cantos da pagina que, para mim, só podem ter sido escritas anos após aqueles acontecimentos.
Vejo como minto para mim mesmo. Meu passado nada significa, minhas anotações nada importam, anos e anos sem lembrar se realmente fiz, ou me fiz fazer, para lembrar com nostalgia de um passado estranhamento distante de mais.
Não sei se realmente gostei daquela musica, ou se dancei aquela valsa, ou me fiz dançar. Se os lábios daquela menina realmente são macios e úmidos como lembro, ou simplesmente mostro meu desejo intimo de algo que quis que fosse.
E como mudei minha vida graças a essas mudanças. Fui confiante, foi forte, fui sábio, pois na juventude o era, e agora, agora vejo com sabedoria que as paginas arrancadas e as marcas de corretivo simplesmente são minha ineficácia em viver minha juventude, e não sei mais como foi esta juventude, se foi minha, ou dos filmes que vi e livros que li.
As historias são contadas e recontadas, e muitos confirmam coisas que eu mesmo disse a eles anos atrás. Principia Discórdia o nome disso. Porem, não sei se sou eu, ou meus boatos. O mundo vira as costas quando olho firmemente para meu passado, e me pego lendo paginas e mais paginas mal escritas em um diário juvenil sem semântica ou concordância. Simplesmente palavras falando o que eu queria ouvir, ou queria ter feito. Sinto-me mal. Fraco. Pois não pareço eu. Um homem velho e cansado, sentado sobre meus chinelos puídos pelo tempo. Não há mulheres ao meu lado, não há filhos nem conquistas. Porem, ao folhar os diários vejo que há muitos anos era o que eu queria para mim. Isso esta anotado em um canto do diário, justamente no ano em que estou no meio de minha graduação, e parece tão lógico, tão certo, tão confortável que me pego sorrido por realizar um plano. Mas... será que eu jovem era assim? Conformista com meu próprio futuro? Desinteressado e desapegado? Sinto minha alegria ir embora por desperdiçar minha tenra idade com pensamento idiotas que agradariam a um eu velho. Mas mais para trás, aos meus 15 anos, vejo um outro jovem, que me anima, falando que quero realmente descansar quando velho, mas viver intensamente minha juventude. Isso esta por cima de rasura sem fim sob a pagina, após outra tantas rasgadas. Mesmo assim, vejo anotações e anotações sobre feitos, mulheres e conquistas, medalhas esportivas, prêmios e congratulações. E vejo que aquele jovem de 15 anos compactua com aquele de 20. E um eu de 30 sorri ao pensar que logo-logo poderei ler as coisas que quero. Sem aquela noiva cansativa.
Não me lembro de ter noivado. Meu irmão fala que foi na época em que estive na Argentina, três anos, o diário concorda com ele. Eu não me lembro da Argentina. Há uma passagem em que estou sentando em meu quarto admirando uma tabacaria. Sinto falta de meu cachimbo. E eu que não sabia que fumava.
Valeu à pena? Não sei. Não sinto cruzando o Bojador, como relata o eu de 40 anos, ao percorrer o caminho de Santiago. Ou meu delírio louco ao me formar na academia. Ou a vitoria sobre o Major no torneio de xadrez. Ou pior, quando impedi a morte de centenas em um trem, lutando bravamente contra um homem com dentes de aço.
De minha vida lembro-me dos filmes e livros, e estar sempre sozinho. Lembro da corrida triunfal dos jovens no Louvre, e o a alegria deles, acho que nunca sorri assim. Lembro de sempre ter Paris. Da dança louca e revigorante em Creta. De questões elementares que só conseguia entender no final. Das loucuras de Justine, e elas se confundem com as minhas. Vejo meu diário e vejo coisas loucas e maravilhosas que fiz com mulheres e mais mulheres. Anotações e detalhes. Sade me processaria talvez. Não lembro. Não me lembro de minha cama sendo ocupada com tanta luxuria e tensão. Não me lembro de sorrir como sorrio sentado na margem do Tejo. Não vejo em mim, o que sou. E o que trás minha própria vida e minhas lembranças escritas. Não sei. Não sinto. Não lembro.
No sim talvez, somente as frases do eu garoto, aos 12 anos, ao começar os diários, faça sentido e tracem uma realidade sobre mim.
“Não: não quero nada.Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!A única conclusão é morrer.”