terça-feira, 27 de abril de 2010

Alguém lê esse blog? A meses não vejo um comentário nos textos. Sempre que recebo alguma critica ela vem pelo meu irmão, e acabo imaginando que ele inventa só pra me deixar feliz e eu pensar que tem alguém que Lê e eu não em sentir falando sosinho. Também, sei lá se vale ler essas merdas todas. Enfim. Tanto faz. Este final de semana cobrir o World RPG Fest, um evento de RPG em Curitiba, passamos o final de semana todo correndo atrás de noticias e escrevendo durante o dia todo. Foi legal, o site WWW.liganerd.com.br teve muitas visitas, deixamos passar muita coisa mas só estávamos dois no evento e foi foda. Tenho meu terceiro capitulo da monografia para terminar, alguns livros ao lado do computador para ler e retirar citações pertinentes, e fica cada dia mais cançado. A falta de grana e outros problemas mais da própria vida fazem tudo parecer incerto e inútil. O que fazer? As coisas são assim mesmas... Ouvi dizer que alguém leu o site e disse que meus textos começam muito bem e terminam fraquinho. Não sei se as pessoas olham pra mim e pensam “que bunitinho, ele tenta escrever” ou “Nossa, que textinho legal, vou corrigir ele pra ver se ele melhora”. Que saco! Eu uso figura de linguagem textual pra formular um argumento narrativo condizente com uma determinada ajuda emocional para carregar o leitor. Eu uso esse blog pra testar teorias que imagino que darão certo para, no futuro, escrever um livro descente. Ainda tenho que corrigir alguns desentendimentos meus com a gramática, mas estou me aprimorando a cada dia mais. Acho um saco ter que explicar as coisas, mas tudo bem, lá vai. Penso nos textos que levam o leitor de um clímax para um anticlímax. Textos depressivos e reflexivos, e não divertidos. Pira é, fazer um final clímax leva o leitor em borá sorrindo, um final anticlímax faz o leitor gravar o texto na mente, e refletir sobre ele. Algo como “caralho, o cara morreu no final. Sozinho, sem ninguém, de uma maneira brutal e sem sentido, que triste isso” depois a reflexão se estende, da onde veio a violência? Por que ele estava sozinho? Eu quero morrer assim? Essa é a pira do que eu escrevo. Eu gosto de escrever assim, e essa é a proposta do blog: Higiene Fecal. Que é passar papel higiênico no cu. Algo como, tirar a merda de um lugar e levar pra outra, mas sempre vai haver merda. Limpar a bunda, hoje, é uma das necessidades vitais para o ser humano, tanto na área da saúde quanto na de sociabilidade. Quem não limpa o ânus com toda certeza deve ser uma pessoa muito estranha. A vida é assim. A vida é uma sucessão de merdas que acontecem, que nós tentamos paulatinamente evitar ou trocar de lugar. Não há a possibilidade de ser feliz, ninguém se vê sempre feliz, por que sempre teremos problemas. Problemas grandes ou pequenos, mas sempre iremos nos incomodar. Tem alguém musica do Frejat, que tem a frase que diz tudo “Sabemos que rir é bom, mas rir de tudo é desespero”. Se você é feliz ao ponto de nada te incomodar, com toda certeza você é tão tongo, idiota e ignorante sobre o mundo a sua volta que nem vale a pena ter você ao lado. talvez uma comunidade de pessoas tongas, sem duvida, seria um porre. “Bom dia Mundo” bom dia pra quem? Pro afegão e o judeu que tem medo de dormir e não acordar no outro dia? Pra família que foi dormir com fome? Pra criança sendo violentada por algum parente? Pro chinês que não pode ver pornografia na internet? Pro negro ou pro branco sendo espancando em algum lugar do mundo? Que mundo é esse que terá um bom dia? Mais justo seria dizer “Melhor Mundo!” Nenhuma história na vida real começa com era um vez e termina com viveram felizes para sempre. Não adianta iludir você com um texto assim: “Márcia, uma jovem e bela garota acorda com um sorriso, sabe que daqui a 7 meses, 22 dias e 16h será natal. E ela esta feliz. Ela tira os pés da cama direto para suas pantufas macias e desce para a cozinha, já sentindo o cheiro de ovos, suco de laranja e pão de queijo quentinho. Ela escorrega pelo corrimão direto para a sala de visitas, e corre pela sala de jantar até a cozinha, onde uma mesa de 12 lugares a aguarda, repleta de guloseimas. Seu pai esta sentado na cadeira ao lado, com o jornal aberto na contra luz da janela. Ela beija forte e estalado a bochecha do pai, pois Márcia adora sentir o cheiro do pós barba do pai. Sua mãe esta sentada ao lado. com os óculos na beira do nariz, lendo um livro. Os dois sorriem para ela. Sua mãe sussurra, ”bom princesa” quando dá um forte abraço na filha”. Ela da a volta da mesa, pegando um prato ao lado da mãe, e se servindo com pães, geléia, bolo e, quando chega a frente de seus pais, se senta, se servindo de suco. Em quanto como, seu irmão mais novo entra na cozinha. Já vestido para o colégio e com uma cara de sono. Arrastando Kratos, seu ursinho de pelúcia. Ele se senta ao lado da irmã, sua mãe lhe estende um prato com um pedaço de bolo de chocolate e sanduiche de presunto e queijo. Depois, coloca um copo grande de achocolatado bem escuro e morno, do jeito que ele gosta. Márcia está feliz. Agora só faltam 7 meses, 22 dias, e 15h para o natal! Ela está pronta para o colégio, e seu pai buzina do lado de fora. Ela olha pela janela do quarto e vê que ele esta com o carro com bancos de couro. Ela sorri. Seu irmão mais novo sempre faz sons estranhos naquele carro, ela desaprova, mas acha muito divertido. Daqui a pouco ela ira para a aula vai rever todas suas amigas e terá aula de matemática com a professora Ana Maria, ela adora! Será um dia em tanto. E ainda é segunda feira!” FODASSE MÁRCIA do caralho! Você NUNCA acordaria as 8 horas para ir para o colégio! Muito menos sairia as 9h! Não EXISTE Pollyanna! A própria Pollyanna era um porre! A melhor versão daquela órfã do cacete foi escrita por Alan Moore em “A Liga Extraordinária”, onde, no orfanato dela, se escondia o Homem Invisível, e ele a comia todos os dias de manha, e comia bem. Por isso ela estava sempre de bom humor. Sem TPM, sem preocupações, simplesmente acordava gozada e sorridente. E sem se sentir culpada, já que para ela era um delírio diário, normal, e não um estupro constante. Em um mundo normal, ela escorregaria um dia do corrimão e quebraria um braço, pelo menos! Sem duvida, ela odeia o irmão, que irmã gosta do irmão mais novo quando ela tem uns 13 anos de idade? E pior! Ela gosta de sentir o cheiro do pós barba do pai? Isso seria um sinal do complexo de Electra? Inveja do pênis? Que porra é essa? Sem duvida ela tem problemas! E terá problemas com relacionamentos futuros. E o irmão, deu o nome do deus da Guerra pro seu ursinho? Ele quer ser protegido de algo? Do que ele tem medo? Outro problemático na família. Não existe história 100% feliz, nem mesmo nas histórias de literatura. Na fantasia, chapeuzinho vermelho se fudeu, branca de neve se fudeu, cinderela se fudeu, todas se fuderam. E vão passar por outros maus bocados no depois do viver feliz pra sempre. Então, de que adianta fazer uma história feliz, se não existe histórias felizes?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Os poucos que me conhecem bem sabem que sou um cara nostálgico. Sei que me conhecer bem não faz ninguém ser melhor que os outros, mas isso diz muito sobre o autor, e desta forma, vejo como importante informação a ser compartilhada. Afinal, se você esta dando o trabalho de ser estas linhas, significa que você, de certa forma, se importa com o que esta lendo, logo, como diria aquele homossexual do Foucault, “o autor”. (Chamo ele de homossexual não para ofender esta ilustre personalidade, mas por que, quando esse francês ia para os estados unidos, ele dava o Cu. E por dar o cu imagine qualquer coisa que um acadêmico, honrado com uma cadeira na ecole de France sendo professor renomado e considerado estabelecido, possa fazer.) Tirando essa informação relevante, mas desnecessária, vamos ao que importa. Nostalgia. Nostalgia é um perfume em Watchman; Nostalgia é aquele sentimento que nos faz sentir falta de algo que nos fazia feliz; Nostalgia é alquilo que criança nenhum saberia dizer o que é. Hoje, estava eu comprando duas revistar em quadrinhos, Batman 89 e Vertigo 5. O cheiro das revistas, o Batman, a selo Vertigo, Hellblazer... quadrinhos em fim, me fazem lembrar de um tempo em que eu lia revistas do pato Donald em quanto cortava o cabelo em Laranjeiras do Sul. Esta sensação fez meu dia tão agradável e tranqüilo que em poucos momentos estava lembrando do canal manchete as 18h da noite, sentado com os amigos na cama de meus pais esperando a bateria de animes que, no futuro, formariam meu caráter, personalidade e hobbys. Hoje, não existe mais Manchete. Nem tenho saco pra ler Pato Donald. Comprar essas duas revistas levaram ao fim o meu ultimo salário de um mês atrás. Agora, estou desempregado. A perspectiva de continuar minha coleção de revistas foi embora com a ultima passada do meu cartão magnético. Faz semanas que economizei essa grana pelas revistinhas, e agora, não poderei mais comer um lanche diferente durante a semana, nem mesmo comprar a Vertigo 6 (sei que não comprarei a Batman 90 pois o Neil Gaiman não continuara roteirando a revista) e o mundo, torna-se cinza novamente. Claro que estou me fudendo pacaralho escrevendo minha monografia. Prazo correndo solto, alem de pensar que tenho um capitulo de um livro para escrever até o final do ano. Pode parecer tempo o suficiente para vocês, mas para um acadêmico com a fralda suja de coco, seis meses parece todo o tempo que não terei tempo para fazer isso. A falta de grana encurta as perspectivas de uma vida despreocupada. E é nesse momento que aquele sentimento de nostalgia parece se impregnar em cada coisa que se faz. Olhar os livros na estante, ler um quadrinho após o outro. Conversar sobre desenhos animados, em fim, tudo. Tudo nos faz lembrar daquele tempo em que não precisávamos nos preocupar com tanta coisa. Diz um provérbio que precisamos da dor para nos sentir vivos. Quando estamos sonhado, pedimos para sermos beliscados, e não acariciados. A felicidade suprema não parece real. Tudo que nos faz feliz são coisas momentâneas que se vão e ficam na saudade. Na nostalgia. É engraçado como somos escravos dessa vida cabisbaixa. Não parece haver uma solução certa para uma felicidade que não seja comprimida, pasteurizada e obsolecente. Ler revistas em quadrinhos é um momento de refugio, de fuga. De sentir-se criança despreocupada em uma ilha deserta de um mundo intocável pelas outras pessoas para que, em fim, você possa rir de alguma coisa. Se sentir bem de alguma forma. Como jogar videogame, ler romances policiais ou conversar com os amigos. Contudo, tudo parece se invadido por aquela sensação de responsabilidade, de prazo e cobranças que o mundo lá do outro lado do horizonte pare cobrar. Não existe panacéia. Seremos adultos infelizes, na busca da felicidade eterna e constante. Pois sempre teremos que sacrificar aquilo que nos faz sentir bem para poder ter a possibilidade de fazer aquilo que nos faz sentir bem. Não importa ter dinheiro, não importa ter uma mulher fogosa nos esperando na cama todas as noites. Não importa um home teater em uma sala com uma teve confortável e tela plana. No fim, vamos esperar o dia todo para sentarmos na cama apertada, acender o abajur e ler, quadro a quadro o que acontecerá com o homem-morcego. O trabalho mais legal do mundo será a rotina diária de coisas legais, e uma hora, a piada repetitiva perde a graça. Depois, ver as mesmas pessoas, começar a reparar seus defeitos e aquilo que te incomoda fará tudo parecer a mesma coisa na seqüência dos fatos. As vezes previsível, as vezes chato. E o dia será aquele em que você tomou 4, 5, talvez 12 cafés para poder agüentar tudo aquilo que você já espera. Haverá férias, claro. Mas há férias para você viver um pouco alguma coisa nova, talvez incrível, fascinante. Aquilo que te mudará para sempre. E tudo acaba. E vira nostalgia. A escatologia do mundo está para as coisas felizes, e não para as tristes. A religião errou o alvo. Quando tudo acabar, não iremos para o céu, iremos para um lugar que, de fato, não será tão legal quanto aqui. Pois, só o que é bom dura pouco, só o que vale a pena acaba. O resto, o resto vai estar sempre ai. Um dia sua mulher fogosa vai estar cansada do trabalho, ou vai perguntar alguma coisa que te fará pensar muito por muito tempo. Um dia seu chefe legal vai morrer. Um dia vai acabar o café. Um dia vão construir um prédio grande na frente da sua janela e você não terá a visão agradável que você sempre gostou de ter quando estava escrevendo no computador. Um dia. Pelo simples acaso do destino, você terá um dia ruim. E como diria o Coringa, basta um dia ruim para você ficar louco. Mas é curioso, aquela nostalgia, aquele cheiro de revista nova. Aquela sorriso do Robin, aquela sacada da Mulher gato. As frases do Comissário Gordon, as tiradas do Constantine. Fará você rir, e valerá a pena. Um dia você estará andando na rua, de mãos dadas com sua namorada, pensando que o mundo, de uma maneira fisicamente comprovada, é uma bosta. E uma outra garota, linda, do outro lado da rua vai sorrir pra você. E sem motivos aparente você vai sorrir também, e vai olhar pra sua namorada e entender por que ela te ama, e por que você a ama. E simplesmente assim, você terá um dia feliz. A busca pela felicidade é ter uma sacada descente em um momento oportuno e sorrir sozinho. Não vejo outro motivo para ficar vivo se não fosse a nostalgia. Não fosse aquele momento que você chega no topo de uma alta montanha em tempo de ver o por do sol. E sem motivos lagrimas escorre do seu rosto e um abraço amigo surge ao seu lado “foi por isso que nós viemos” e você responde “pois é” e durante 8 segundos você saque que aqueles tombos no caminho, a dor nas pernas e nos braços. Os momentos de sufoco e depressão que durou mais ou menos 10h, pra você chegar ali, naquele topo, naquela hora valeu apena. 8 segundo. É como usar um coturno o dia todo e, quando tirar, sentir alívio. Talvez Fernando Pessoa esteja certo, “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Quem sabe. Só depende de nós. Talvez, não iremos pedir para nos beliscar no futuro, para curtir a alucinação mais um pouco. Por que não? Fazemos isso quando vamos ao cinema, quando lemos um livro. Nos deixamos iludir e ser levados para onde quer que a história queira. Quem sabe não podemos simplesmente curtir a vida? Heh... Foi uma mensagem motivadora. Legal. Mas e dia? Acabou.