quinta-feira, 26 de março de 2009

Outro tempo, outras relações

Cá estamos, 1873, interior do estado do Paraná. A alguns minutos atrás a mãe entrou no quarto e avisou suas filhas que um viajante estrangeiro ia visitar sua casa, e que elas iriam para a sala cumprimentá-lo. Algo raro, sempre que alguém visita a casa, elas ficam no quarto, trancadas. O ultimo homem que elas viram foi seu pai, e ele estava saindo da mesa do café da manha para que elas se sentassem para o desjejum. Quando eram mais meninas elas iam brincavam com os filhos e filhas das fazendas da redondeza. Mas agora, não os vêem mais. Na missa elas entram de cabeça baixa e saem de cabeça baixa, não vêem ninguém, tem vergonha de ver alguém, ver um homem, ainda mais na casa de deus. E hoje, elas iriam sair do quarto em uma visita e ver alguém. Claro que a imaginação vai longe.

Ao todo elas são em 5, a mais velha tem 16 anos, seu pai falou que já esta na hora de casar, arranjar um bom marido e seguir a vida. Ela também quer isso, mas tem medo. As outras já foram avisadas que a vez delas também ira chegar. Todas pensam nisso dia após dia. Realmente não há mais nada a se pensar. Não que elas reclamem, mas não existe muita opção.

Elas estão todas sentadas, as duas mais novas estão sentadas no chão, abraçadas com o próprio joelho, para elas, homem significa dor. Uma vez, uma tia havia vindo visitá-las, era uma benzedeira. Quando sua mãe não estava perto, ela contou como as coisas aconteciam, todas ouviram horrorizadas a discrição, que teve que ser interrompida na metade com a chegada de seus pais. Após isso, tudo era especulação.

- Entra aqui. – disse a menina segunda mais velha, Maria da Graça – acho que fica assim até uma luz divina aparecer, e ai o bebe entra, junto com a luz.

- E a dor? – pergunta a segunda mais nova, Cleonice. – A tia tinha dito que tinha dor.

- Sem dor – continua Maria da Graça – Deus quer que façamos isso. O padre falou na missa aquela vez.

- Tem dor sim! – Disse a terceira. Socorro era seu nome. – lembra quando agente colocou aquilo aqui? Doeu um pouco e nem entro direto.

- Mas não teve a iluminação divina! – Diz Graça – Quando é em beneficio divino, não ter dor.

- Eu senti dor... – murmura Socorro.

- Eu não quero isso. Vou falar pra mamãe que serei freira, me casarei com Deus, e não terei dor alguma. – A caçula, Maria Aparecida, quase grita, e esconde o rosto nos joelho começando a chorar. - ELE não vai me deixar sentir dor.

Maria da Graça desce da cama para consolar a irmã. Cleonice também a abraça, e chora junto dela.

- Mas não haverá dor. – Fala Graça, afagando o cabelo da irmãzinha. – Será por Deus. Se você aceitar a devassidão, ou não for batizada, sentirá dor, caso contrario, Deus te iluminará. - Você não tem certeza. – Aparecida murmura secando as lagrimas.

- Vocês não tem curiosidade de ser mulher? – insiste no argumento Maria da Graça.

Todas ficam caladas. Olhando pro chão. Após um tempo elas escutam o som da frente abrindo, seu pai cumprimenta o visitante e começam a conversar.

- Uma vez. – Linda, a irmã mais velha rompe o silencio. Todas olham pra ela quase assustadas, é raro ela falar com as irmãs, na verdade é raro ela falar. – Papai me levou com ele pra fazenda. Eu queria andar a cavalo, e ele me levou. Era tardezinha, e quando chegamos ao rio, que tem lá perto da fazenda do Tonho. Ele parou pra descansar. Falei pra ele que queria entrar no rio, pra me refrescar, ele falou que não. Eu chorei pedindo, e ele deixou. Tirei minha roupa e entrei na água, pouco depois, papai entrou na água também. Eu fiquei feliz dele ter entrado comigo. Mas depois tudo ficou entranho, eu tinha jogado água nele e ele em mim, estávamos rindo. Depois ele me abraçou. Me senti confortável. Depois... – Os olhos de Linda mareiam com lagrimas. – Depois eu senti uma coisa estranha nas minhas pernas, e ele me forçou, e senti uma coisa, senti dor, muita dor, eu queria gritar, mas ele forçou minha boca contra o peito dele. Falou que estava tudo bem, que ele fazia isso com a mamãe às vezes. Depois de um tempo a dor foi embora e... eu senti um arrepio nas costas. Nunca tinha sentido aquilo. Foi diferente, tudo parecia diferente. Papai saiu do rio, pediu desculpas pra mim, eu não sei por que, depois se vestiu e subiu no cavalo. Gritou pra eu ir com ele. Eu tinha ficado na água. Eu me senti estranha, parecia que estava sentido calafrios, a dor tinha voltado um pouco, mas acho que era por causa da água gelada... Eu vi uma coisa que eu nunca tinha visto antes, como aquela coisa que os cavalos tem entre as patas de trás sabe? Só que menor, e no papai.

Todos estão ouvindo atentamente, o silencio é cortado pelo murmúrio de lamento de Aparecida. Maria da Graça também tem seus olhos cheios de lagrimas, Cleonice parece maravilhada com a história. Socorro tem lagrimas escorrendo pelas bochechas, mas não emite som algum.

- Foi ruim? – Socorro pergunta meio que soluçando.

- Não... não sei... queria que acontecesse de novo... mas papai nunca mais me olhou de novo, nem falou mais comigo. Acho que fiz alguma cosia errada, desde aquele dia me sinto diferente. Eu senti dor, mas senti algo... talvez seja essa iluminação que a Graça falou.

Todas se mechem em seus lugares. Milhares de pensamentos passam pelas suas cabeças. De todas as conversas que sempre cochichavam sobre isso, essa tinha sido a mais esclarecedora. Por algum motivo, todas queriam saber como eram.

- Será que o papai vai levar todas nós para o rio? Pra ensinar essas coisas pra gente também? – pergunta Cleonice com a sombra de um sorriso nos lábios.

- Será que isso é certo? – Indaga Socorro.

- Não sei... Mas acho estranho. Será que eu serei a próxima? – Maria da Graça abraça um travesseiro, ficando em silencio.

- Eu ainda tenho medo, mas parece que minha curiosidade percorre meu corpo todo – Fala Aparecida.

Todas ficam em silencio. Assim, quando ouvem a fechadura soar, e o trinco descer, todas se levantam vão esperar para sair, elas vão ver o pai dela de outra maneira, e um outro homem. E elas estão cheias de duvidas na cabeça.

Quando a mãe pede para elas iram até a sala, elas vêem o pai, e o outro homem, e vêem cavalos, rio e outras coisas estranhas e confusas, e riem, riem sem parar.

ps.: Sou um historiador. Sei que incesto e pedofilia é errado, e não compactuo com isso. sei quão horrendo é este texto. Porem, ele não foi escrito pensando no hoje, mas em outro tempo. Uma sociedade que, para os padrões nossas e também para os da época, era considerada ignorante. Isso não é um conto erótico.

terça-feira, 24 de março de 2009

Baseado em fatos reais

Engraçado. Estou sentado em uma cadeira, ao lado de um amigo, nos dois quietos, esperando. A delegacia esta cheia de policiais sorrindo, civis com caras fechadas. Vejo também dois policiais de rua com cara de tédio, prancheta na mão, creio que eles também esperam.

- Sabe? – começo puxando assunto com meu amigo. – Isso tudo é uma sopa. - Como assim? – responde ele, esboçado um sorriso. Entendo ele, não consigo sorri muito também. - Não uma sopa normal. Aquelas grossas e viscosas, sem legumes nem nada. Só caldo grosso. - Sei, mas o que quer dizer com isso? - Tudo isso, não só esta delegacia, mas a situação do todo. Ela não escorre, mas se sustenta como ela é. Tecnicamente ele não é viscosa, nem mesmo grudenta. Simplesmente uma grande unidade de mesma forma, moída e misturada em um liquidificador. Onde, se for tentar definir realmente o que é o que, você acaba defindo tudo como sendo uma única coisa. Uma sopa. Não se pode definir um problema, nem mesmo apontar uma direção, pois tudo é assim. Não importa a luz nem a perspectiva que você olha, tudo é simplesmente uma sopa.
Ele sorri de novo, fala baixo um “entendo” e sorri novamente. Ficamos quietos novamente.
- As vezes, - continuo – não parece fazer sentido nada. Se formos analisar tudo que aconteceu até agora, acharíamos tantas hipóteses absurdas, que ou nos tornaria paranóicos, ou loucos. Talvez, a ignorância nem seja uma escolha. - Continue... - Assistiu aquele filme: “O misterioso caso de Benjamim Button”? - Claro, muito bom! - Lembra aquela momento em que ele começa a descrever a passagem de uma seqüência de acontecimentos que fulminam no atropelamento da mulher? Dizendo que, se alguma dessas coisas tivesse acontecido de maneira diferente, tudo teria sido diferente? - Nossa, lembro sim, tem um termo japonês pra isso. Não é destino, mas simplesmente uma seqüência de fatos que causam outros fatos. Dizem que, o bater das asas de uma borboleta em Londres pode causar um conflito no Japão. Não lembro o termo. - Tipo teoria do caso. - Também. - Se formos lembrar de tudo. Decupar os fatos até agora, podíamos ver que, em algum momento podíamos ter evitado. Porem, não faz sentido pensar em evitar. Olhar pro passado é algo até que simples. Mas olhar pro futuro parece tão improvável... - Dizem que podemos tentar antever esses fatos. - Acho que poderíamos, com certa experiência de vida e tudo mais. Mas... será que não viveríamos em paranóia? Com medo de fazer as coisas. Creio que, por natureza humana, pessimista como ela é, sempre olharíamos o lado catastrófico das coisas. - Talvez.
O Silencio impera novamente. Em meio a isso tudo, policiais fardados sorriem e passam de um lado para o outro. Vejo, sem nem precisar ir até a porta, algumas viaturas estacionadas, e perto delas, alguns outros policias fumando e também sorrindo. Não entendo onde eles, que possuem uma profissão tão estressante conseguem sorrir, é quase meia noite, e lá estão eles, falando em celulares com musiquinhas chatas ou ridículas, e sorrindo. Há meia hora atrás falaram que não tinham nenhuma viatura pra mandar pro local.
Após um tempo, um casal estranho, um homem de certa idade senta a nossa frente com uma mulher realmente gorda com uma roupa que ficaria apertada em alguém realmente mais magra que ela. Os dois com faces serias e fechadas, ele cansado e ele irritada, como se ensaiasse algum discurso ou estivesse inconformada com alguma situação. Ficam ali um tempo, sem se olhar, sem conversar.
Um homem vem ao balcão e grita pedindo pelo dono da casa que tentaram invadir. La de fora entra um senhor, com roupas jovens de mais para ele, com passos ligeiros e prestativos. Seus olhos também estão cansados. Ele entra junto com o outro homem, e o silencio é interrompido por murmúrios e passos.
Após um tempo, uma garota magra de mais, eu diria que seria a dona das roupas da senhora gorda. Entra com um gorro, com uma cara de quem chorou de raiva, atrás de um senhor que parece que teve o rosto esculpido na madeira. Ele parece ter um sorriso, mas também parece cansado, seu olhos estão envoltos raiva. Poucos minutos depois, um garoto, talvez tão novo quanto a menina do gorro, entra pela porta, seu nariz esta visivelmente quebrado, ele esta de meias amarelas (sem tênis), calça jeans, uma camiseta azul clara suja de sangue, seus olhos estão inchados, como se tivesse apanhado e chorado muito ao mesmo tempo. Ele manca de uma perna, suas mãos nas costas presas em uma algema e mordendo seu braço com os dedos está um policial, rindo muito, seu sorriso esconde seus olhos, e todos o cumprimentam. A menina se levanta, quando ele passa, o senhor do rosto de madeira, também levanta os olhos do chão para olhá-lo. Todos parecem praguejar. Ele some pela porta também.
- Quantos anos você acha que ele tem? – Pergunta-me meu amigo. - Nem mais que dezoito. – respondo - Acho que nem dezesseis. – Ele complementa.
Ficamos ali. Sem motivo algum, a mulher de roupas apertadas grita: “to olhando prá você? Então para de olhar pra mim”. Acho que ela estava falando com a menina do gorro. Tento ironizar na minha cabeça sobre alguma briga de meninas sobre quem usou a roupa de quem, mas a piada se perde. Entendo o que as pessoas dizem sobre algo ser engraçado em determinados lugares e não ser em outros.
De repente, um homem com uma camisa rosa com botões metálicos parra no balcão e pergunta: “quem é o próximo pra fazer um B.O.?” vejo todos se agitarem ali. Levanto a mão como um aluno que é chamado pra fazer um exercício chato no quadro. Meu amigo se adianta e fala “Nós”. Levanto-me atrás dele.
A conversa se entedia entre o que aconteceu e por que estamos ali. Respondemos sobre o assalto, roubaram o som do meu carro e quebraram o vidro do carro para isso. O cara pede para entrarmos.
Na sala, temos aqui mais policias, alguns sorrindo menos, outros sorrindo muito, alguns cansados, outros andando de um lado para outro. Uma bancada com civis em volto, o homem que teve a casa invadida esta entre les. Outros civis, ou homens sem fardas, também estão em volta do balcão, um deles muito serio pedindo calma e ouvindo todos. Estão falando baixo de mais pra ouvir, e o som da sala não permite que eu consiga ouvir exatamente o que falam. Porem passamos rápido por essa sala, e entramos em uma saleta, onde tem uma mesa, com um computador em cima, uma impressora, e ao fundo um arquivario de gaveta tripla. E uma placa metálica brilhante escrito em letras garrafais “Proibido o uso de celular no recinto” ou algo como “Desligue o Celular”, não lembro bem agora.
O homem de camisa rosa se senta em frente ao monitor, e nos do outro lado da mesa em duas cadeiras. Iguais as que estávamos sentados lá fora.
Ele pergunta o que ouve. Meu amigo fala mais que eu, estou me sentindo cansado com tudo isso. Sem animo pra falar, ou reclamar, ou o que quer que seja.
Explicamos que era festa de aniversario de meu amigo, que estávamos nos divertindo, e dando risada, havíamos jogado futebol até umas dez horas, e tínhamos senado para jogar Can-Can. Não tínhamos bebido, nem nada, acho que eu nem jantei direito, acho que eu tinha olhado pra carne na churrasqueira pensando em pedir pra fazer ou pegar umas pra mim, não falei isso pro guarda. Lembro que entrei em devaneio lembrando dos acontecimentos.
Eu tinha recém chego de ter levado a tropa escoteira para o Anhangava, um morro que tem aqui perto da cidade. Passei o dia todo pra subir e descer o morro, foi muito bom, a vista estava maravilhosa. Estou meio queimado do sol, mas valeu a pena. Cheguei em casa, falei que ia tomar banho para ir no aniversario, Já estava meio que atrasado. Eu e outros amigos meus que haviam indo para o morro comigo combinamos de nos dar carona, meu pai não havia me deixado pegar o carro, então pedi para um outro amigo me buscar, porem, após o banho, meu pai diz que não vai mais usar o carro, e me deixa ir para o aniversario dirigindo, fico feliz. Íamos em 7 ou 8 no Twingo do meu amigo, acho que não caberia, com o carro do pai podíamos dividir as caronas.
Quando minha carona chegou, avisei a ele que íamos nos separar para buscar nossos amigos. Marcamos de nos encontrar já na festa. Passei pegar minha namorada, depois fui pegar um amigo que me pediu pra ir buscar a namorada dele também. Fomos lá, e logo a pós fomos para a festa. Ao chegar, não havia vaga na frente do prédio, porem, deixei na esquina mais próxima, atrás de outro carro.
Fomos rindo e conversado pra festa, era só atravessar a rua. Lembro de ter visto o carro de um amigo estacionado e que, se eu forçasse um pouco, dava pra por o carro na frente do dele. Mas deixei quieto, preferi não incomodar ninguém. Fomos à festa, todos já estavam lá, faltava só um que ia vim de moto com a namorada.
Ai a festa começou, demos muita risada, comemos docinhos e jogamos truco. O aniversariante não é de beber, então não teve bebida alcoólica no aniversario dele. Jogamos bola em um campinho minúsculo. Foi bem divertido, rimos muito. Minha namorada quis jogar também, então ele pediu minhas roupas, falei que daria pra ela, mas antes de trocarmos de roupa, meu amigo chegou com a namorada dele, e após um tempo, elas trocaram de roupa, minha namorada pegou meu tênis, e foi jogar com os meninos. Fiquei descansando um pouco no salão de festa, estava bem cansado do dia longo, fiquei conversando um pouco, e decidi ir ver o jogo. Mesmo descalço entrei em campo, e joguei o restinho do tempo que tínhamos pra jogar.
Foi divertido, não consegui fazer muito, pois estava descalço, mas deu pra dar risada. Como sempre. Dez horas paramos, leis do prédio. Sentamos para jogar can-can, ou uno. Jogamos umas três partidas, talvez quatro e o interfone toca, o aniversariante atende, e escuto a única coisa que eu não imaginava escutar. Acho que ninguém espera. Eu nem moro ali, quando se toca o interfone você nunca pensa que é pra você. Pela cara preocupada de meu amigo, imaginei que tínhamos feito barulho de mais, de novo, e ele ia receber uma multa, de novo. Mas então ele fala “Alguém ta com um palio vermelho na rua?”, respondo que eu, “Cara, acabaram de falar que estouraram seu vidro.”
E agora, estou eu e ele aqui. Sentados em uma delegacia relatando o trivial de nossas vidas. Que meu carro tinha sido roupado, quebraram o painel, e levaram o som, e meus CDs. Meus nada, do meu pai. Os primeiros CDs do Chico Buarque, e outros clássicos da MPB, alguns de musica clássica, mas isso não importa também.
Nada importa. Nem o assalto importa, nem o vidro quebrado importa, nem os CDs, nem o fim da festa do meu amigos, nada.
A grande sopa engloba tudo. Fazendo tudo ser a mesma coisa. Sem importância, sem vida. Sem cor, sem sentido.
A felicidade as risadas não estão mais aqui, não pertencem mais a mim. A festa, divertida e memorável se foi com todos correndo para a frente do prédio. As meninas ficando para trás. Os garotos correndo. E a noite ficou mais escura. E as cores se foram, e a luz se foi. E eu vi meu carro parado do outro lado da rua. E pessoas em volta. Atravessei a rua, e todos vieram junto. E o vidro estava no chão, o painel quebrado. De repente todos começam a agir diferente. Meus amigos ouvem boatos que o ladrão foi por ali, e eles vão atrás. Dizem que encontraram, mas ele podia estar armado. Eu não consigo pensar em mais nada, a não ser que meu pai usa o carro todos os dias pra trabalhar, como ele ia usar um carro assim? Havia vidro em todo o banco de traz. Os CDs tinham sumido. Eu estava ali, descalço na noite. Olhando meus amigos arrumarem o painel. Ficamos ali, alguns me consolando, outros reclamando da vida, outros tentando pensar em alguma solução. A irmã do aniversariante vem e solta um sermão sob nós, falando que estamos agindo como idiotas, algo assim, fala que o mundo é ruim, e que estamos agindo como idiotas. Não me lembro bem. Lembro que o namorado dele falou que ele dava dando o sermão nas pessoas erradas. Acho que fez sentido, eu tinha ao meu lado uma ilustração bem formada sobre como o mundo estava ruim.
Eu vi minha namorada conversando com outras meninas do outro lado da rua. E vi que, como uma coisa simples e idiota como essa podia estragar a noite de tanta gente. Ali estava, um carro com o vidro de trás quebrado, vários garotos (temos mais de 20, mas somos garotos) e a noite tinha indo embora. Na hora nem lembrava que tinha visto um lindo dia do topo do morro, nem que tinha defendido algumas belas bolas no gol. Nem de como era divertido jogar Can-Can. Eu só conseguia ver, de maneira inerte e sem cor, as pessoas se movendo e falando. Horas depois minha namorada me falou que queria poder fazer alguma coisa. Eu também gostaria de poder fazer, acho que todos ali gostariam... mas já tínhamos entrado na sopa...
Uma passagem engraçada foram dois moradores da rua, muito estranhos, que vieram falar do roubo, vieram cheio de razão, falando que sabiam quem era, que previram tudo, que viram, ligaram para a policia 5 vezes. Repetiram a mesma história umas 10 vezes. Falaram que a rua era perigosa umas 20 vezes. E sumiram dali umas 100 vezes mais rápido que chegaram quando souberam que o policial, primo da namorada do amigo que eu havia buscado, estava chegando. Eu, particularmente, não vi eles saírem. Sei que, até mesmo o primo, tenente da policia, com sua caminhonete grande, não tinha o que fazer. Penso em como foi inútil a vinda dele, talvez tenha valido a pena pra rever a prima. Mas, bem... tudo ali, era sopa.
Em algum momento, na hora que estávamos fazendo o B.O. meu amigo fez uma conta sobre quantos crimes aconteciam por mês, que aquele distrito que estávamos recebia. Tava em torno de quatro mil e quinhentos. Tudo sopa. Quando meu amigo ia crescendo sua teoria de como estava violento o mundo, o celular do policial tocou. E claro, ele atendeu. Não sei, mas naquela hora, aquela plaquinha atrás dele brilhou mais alto. Sei que policial não é exemplo pra ninguém. Mas acho que aquela placa também deixou de ser um exemplo pra mim. Sopa.
Não pude deixar de prestar ouvidos na conversa dele. Lembro que ele falou “se me perguntarem uma história triste eu falo uma história triste, todo mundo tem uma”. Uma boa frase praquela noite.
Depois, ele reclamou de tudo, falou que a policia é uma merda, que o mundo esta sujo, que a violência esta passando do limite, que a policia do Paraná esta uma merda, mas ainda é melhor que as outras. Não tem policia nem viatura o suficiente. E que, é responsabilidade de mudar isso é do povo, que cabe a eles irem as ruas, de protestarem. De pedirem melhorias, de votarem direito. Claro, como se ele não fosse povo, e como se a policia não fosse a força de opressão contra esse tipo de reclamação. Eu estava lá quando invadimos a UFPR pedindo a saída do reitor e o fim do Reuni. E eu vi de que lado a policia estava.
O B.O. foi impresso. E fim da história. O vidro esta quebrado e o som por ai, alguém deve ter cheirado ele. Não creio que alguém quebre vidros de carro, e roube sons por ai, de maneira tão eximia, como se fosse um oficio, faça isso para comer.
Ainda estou abalado com tudo isso, mas me senti no meio do espetáculo da tragédia. De como as coisas são, acho que me senti curioso, mais que triste. Agora me sinto triste mais que curioso, nem falei com meus pais ainda. Meu irmão falou. Quando cheguei da policia eles já estavam na cama, e quando acordei eles já haviam saído, e quando cheguei da faculdade, eles já estavam na cama. Normal. Sopa. Mas uma hora acho que vamos conversar sobre isso. No mínimo agora já tenho algumas palavras. Acho que não vou explanar sobre a idéia da sopa... mas fica aqui se tiverem duvidas.
Pensamento do dia:
“As vezes simplesmente não sentimos o gosto, ou não definimos o que é. Não estimula o paladar, nem mata a fome direito. Mas da pra entender que tem alguma coisa acontecendo, e você não pode fazer nada pra impedir isso. Nesta hora, você sabe que esta envolto em uma Sopa.” (Finalmente entendo o ódio da Mafalda)
Fernando Scaff Moura

segunda-feira, 23 de março de 2009

sexta-feira, 20 de março de 2009

Ser Ateu.

Sou ateu.
Estava na casa de minha namorada, quando pego a Isto É do dia 28/01/2009, em um artigo com o nome “Ateu, Graças a deus”, da jornalista Maíra Magro. (quem quiser ler a matéria, aqui vai o link: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2046/artigo123913-1.htm).
O titulo me deixou puto, por que diabos ligam sempre o ateu a deus? Que coisa mais ridícula. Pensando em criticar a matéria, me deparo com algo muito curioso, fico contente em ler algo relacionado a isso, e tão bem colocado. Fez-me sentir um ateu mais feliz. Porem, duas passagem me deixaram na vontade de criticar a matéria, e por isso, criticarei.
Primeiramente o maldito titulo, “Ateu, Graças a deus”, hei de concordar que, se ninguém ficasse falando em deus por ai, eu não precisaria ficar falando que não acredito em deus por aqui, mas como falam, então... Como sou contra a opinião das outras pessoas sobre a existência de alguma entidade divina, torno-me ateus graças a me opor a idéia principal, a de que existe uma força superior não social e dita divina. Bom, e daí? Eu não acredito em deus, não é ele que me faz ateu, são minhas leituras, vivencias e experiências de vida. São opiniões tanto políticas quanto culturais. Fatores que levo pra minha vida, conceitos que me dignificam e me enobrece como um homem que prima ter uma opinião sobre algo. Entre elas, ser ateu. Desta forma, deus, sua existência ou não, não entram na equação.
Vejo, em muitos casos, que muitos tornam-se ateus pelos próprios atos de deus, ou seja, ele ser um sanguinário, favorecer somente alguns, egoísta e desinteressado. Somado a varias outras historietas que permeiam a bíblia, encontramos motivos e mais motivos para deixar de crer. Alem da incoerência religiosa e a falta de necessidade de depositar fé em algo, no mínimo, imaginário. Isso trás sentido ao ser ateu "graças a deus".
Porem, não agradeço a matéria pela existência do vácuo. Nem a escuridão pela existência da luz. Elas existem, e que bom que existam.
Outro momento na matéria, que achei delicado, talvez na tentativa de ser engraçada, mas não me cheirou bem, foi à idéia que a autora passou: “...novo ateísmo começaram a praticar uma espécie de pregação da descrença. Ou seja, estão quase criando uma religião - diferente, mas com o mesmo objetivo de tentar persuadir as pessoas de uma verdade que julgam ser ideal.” Criando uma religião... diferente... Que comentário estranho... O diferente depois do hífen faz pensar na tentativa de induzir um pensamento. A grande maioria dos ateus, se não todos eles, são mais ante clericais que ante deus.
O que complica o mundo historicamente, e socialmente, é uma força opressora de pregação de descrença no homem nas palavras dos religiosos, não vamos apontar o dedo só pros católicos, afinal temos a Jihad, os Judeus, protestante as pencas, até algumas áreas do budismo, ou seja, nunca um grupo de ateus se nomeariam como seita, culto muito menos religião, mesmo que ela fosse - diferente.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Este cara é o Nelson, diretor de cinema aqui em curitiba, e esta envolvido em um curta metragem que tambem estou no grupo graças ao meu irmão Fernando Moura (o lobo), o filme ja tem nome, se chama Alfazema, será rodado dia 28 de março e logo faremos uma estréia dele aqui em Curitiba. De fato ainda tem muita coisa a ser feita e o Nelson ja nos alertou do quanto pode ser estressante um set de filmagem.
Espero postar mais algumas coisas sobre o filme.
Dica do dia: violência leva a violência, isso é bom, ninguem começa um briga esperando ganhar flores (exceto as mulheres).

terça-feira, 17 de março de 2009

Quem viu e não bateu palma...

Um professor na faculdade dizia: "design mata." E mata mesmo, qualquer sinalização erroneamente aplicada pode nos levar a caminhos realmente inusitados, não só as de trânsito. Mas o design pode causar coisa pior em nossas vidas quando trucida uma informação sem ao menos pensar no que pode acarretar, e foi o que aconteceu com livros educativos da rede pública. Imaginem o mapa da America do sul, mas agora troquem Uruguai por Paraguai, e junte a Bolívia com o verdadeiro Paraguai e mais algum pais faltando que não consegui ver bem qual era. PASMEM, quando eu disser que esse livro não será recolhido, pois os professores já foram avisados e existe o mapa corrigido na internet, ótimo, agora me digam quantos professores comprometidos temos no Brasil, agora na rede publica e somem com a quantidade de alunos desses com acesso livre a internet. Agora, sobre o possível designer que executou o serviço (pode ser pior e nem ter um no meio), mas caso exista um, ele merece que a profissão ganhe uma regulamentação, um órgão que responda e puna por ele, porque a grande maioria sabe muito bem fazer seu trabalho direitinho.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Ladrões de Bicicleta – Vittorio De Sica

Depois de um longo dialogo editorial, aqui estou eu de volta. Fazendo o que gosto. Critica de filme.
Lá estava eu, na biblioteca da faculdade, vendo os mesmo filmes que assisti ano passado em VHS, chateado por este ano não ter novidades. Ao conversar com os bibliotecários, me falaram que a faculdade esta começando a investir em DVDs e, para minha felicidade, eles tinham um dos lendários filmes do realismo italiano. Ladri di Biciclette – Vittorio De Sica – 1948 – Preto e Branco.

Pra entender um pouco deste magnífico filme, temos que adentrar na história do cinema. Estamos no pós guerra, Itália. Mesmo virando a casaca no meio fim, esta destruída, cheia de dividas e miséria. Uma população famosa historicamente pela produção intelectual, mas principalmente artística. O país que, após a guerra, torna-se sede do Vaticano.
E lá, como em todo o mundo, o cinema já se estabelecera. Porem, com poucos recursos, pouco dinheiro e muita miséria. Assim surge o realismo italiano, que influenciará o cinema brasileiro no futuro.
Realismo italiano é famoso por algumas características peculiares: - O largo uso de plano-seqüência (fazer cenas longas sem cortes). - Não usar atores profissionais, não o caso do “Ladrões de Bicicleta”. - Retratar as ruínas e miséria do pós-guerra. Há outras características mais, mas creio que essas três já bastão pra entender o contexto do filme. Agora, podemos adentrar na obra. Ladrões de Bicicleta tornou-se um dos clássicos do cinema, referencia em muitos lugares, pela sua fotografia e roteiro magistral. Nos carregando em uma agonia e desespero triste. Se alguém não gosta da sociedade ou tem coração sensível de mais, pode ser uma experiência chocante. Não há violência explicita no filme, nem mesmo sangue ou tiroteios. Somente um homem que, após dois anos esperando um emprego, ele consegue, colador de cartazes, e só o consegue por possuir uma bicicleta, não que elas fossem raras.
Animado, ele anima toda a família, depois de tanto tempo, conseguem prosperar um pouco, ele conseguiu um emprego! E tudo vai mudar.
O relacionamento dele com a esposa é bem curioso. Não é explicito, mas não existe um amor ou um cavalheirismo, talvez um companheirismo em meio aos problemas. Há uma passagem em que ela esta carregando alguns baldes de água e ele não da à mínima pra ela. O garoto, filho do casal, é o grande astro do filme, um italiano sangue quente, batalhador, que ama e respeita o pai.
Toda essa alegria se perde ao momento em que a sua bicicleta é roubada, o levando ao desespero. Conseguir essa bicicleta de novo é trazer novamente a esperança para sua família. O filme continua, com reviravoltas e densidade. Nos deparando com uma certa corrupção, onde, mesmo podendo fazer a justiça, a policia não pode fazer nada.
O mais interessante é que, uma simples bicicleta, torna-se a coisa mais importante que você já viu, e você entende por que. As cenas finais, quando você vê o conflito nos olhos do ator, sente a presença de seu filho e um mundo violento gerando a violência. Você entende a ação do personagem, e entende o que é o desespero humano. Ainda mais quando um dos envolvidos na cena grita para ele, “tenha fé em deus”, você sente o chute no saco.
Um filme denso e dramático. Triste. Que nos coloca na degeneração humana, e no exemplo de uma sociedade corrompida que corrompe. Os motivos que levam um homem bom e sorridente e se perder, e você sente isso acontecer.
Vale a pena assistir, ficar quieto um pouco depois pra poder absorver a dura realidade de uma Itália Pós-Guerra e entender que, talvez, este não seja um filma tão antigo assim.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Pra quem viu e disse "ta e dai ?"

E pobre é a pata, que por algum motivo é a última fêmea da espécie, cara... ela se deu muito mal, e não é por menos, aposto que ela era, nos tempos que haviam patos disponíveis por ai, a pata que mais fazia cu doce do mundo, como muitas garotas que vejo por ai. Fica a dica: que não seja por falta de pato. Fiz o desenho só porque achei muito egraçada essa situação, quando vc pensa que patos não podem te surpreender mais, tcharam! Ai esta. Três vivas a natureza que não nos deixa quieto nunca.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Quem quiser que levante a mão.

sábado, 7 de março de 2009

Uma breve apresentação, Fernando Moura e eu, Victor Moura. Um historiador e um designer, um contador de causos e fatos e um contador de piadas, um cara que escolhe a paçoca a dedo e outro que não liga muito pro que come, um capricorniano um sagitariano, um anda com passos firmes outros só anda por ai, ele já disse que não quer nada e eu realmente não sei o que quero. Nos confundimos muito em tudo, pois somos irmãos. Mas esse blog não é pra ser uma porra de diário, segunda feira já começo a postar uns desenhos que irão faze parte de uma série, é a primeira vez que estou levando a sério esse negocio de desenhar.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Outras facetas de enrolar papel higiênico

Ca estou. Gripado. Pode parecer mais uma gripe... Mas aqui, na Paris do Sec. XIX, estava fazendo 37 graus, uma das temperaturas mais quente em décadas. Pode parecer normal, ou até agradável, a habitantes do litoral ou para quem mora mais pra cima do sul. Pra mim, insuportável. Odeio calor, que seja dito antes de tudo. Prefiro o frio e a chuva. Pra fazer tudo, desde ir para um barzinho beber, ou tomar um café, quanto namorar e ver um filme. Gosto do frio, ele tem estilo, o calor é ele mesmo, não tem como ficar mais agradável no calor, se você fica nu, e ainda sente calor, é um mal calor... No frio, eu posso usar minha jaqueta, coturno e viver feliz. Obviamente, as roupas ficam menores e os decotes maiores, mas isso não vem ao caso agora. Nesta empreitada de escorrer o nariz e limpar o nariz, percebi um detalhe muito curioso. Também há arte de enrolar papel higiênico para soar o nariz. Claro, para alguns, sempre tem aquele lencinho a mão, ou soa a trombeta na pia do banheiro. Mas, eu sou um moribundo caseiro, estou na minha cama, no ultimo capitulo do Rei do Inverno, de Bernard Cornwell (sentindo uma inveja absurda do clima de lá), e não estou afim de arrumar lencinhos ou ficar indo ao banheiro sempre que meu nariz pingar. Assim, aprimoro a arte de enrolar papel higiênico. O bom é que sujar os dedos com muco nasal é bem menos mórbido que com fezes. Isto temos que admitir. Então podemos experimentar a economia de papel. Enrolando uma vez só, e aproveitando cada cantinho existente. Em meio aos delírios da febre, e minha falta de capacidade de manter no assunto, me veio um questionamento: Quantos heróis ficam doentes? De cabeça lembro do Hercules, que ficou doente e matou todos seus amigos centauros, e esse é o motivo de não haver centauros por ai. Mas a doença dele não era uma gripe. Era uma maldição divina. Bom, revirando a memória, lembro de um embate entre Mr. Freeze e o Batman, no desenho animado, e, depois do vilão ter sido liquidado, aparece Bruce Wane enrolando nas cobertas, dando alguns espirros, sendo paparicado pelo eu fiel escudeiro, Alfred. Mas no fim do desenho não tem graça. Seria legal um herói gripadaço o episodio inteiro. Podia ter um livro sobre isso: Peter Pan e a Quarentena... é, talvez fosse um livro chato... Pensando nisso, vejo como somo humanos de mais, frágeis a tudo e a todos, etc... Minha cabeça dói, minha perna dois, e meu nariz esta ficando assado de tanto passar papel... Bom, é a vida. Máxima do Dia: “Em seu leito de morte Oscar Wilde, cercado de amigos, olha para o papel de parede do quarto e diz - Ou vai este papel de parede ou vou eu.” Obs.: Estou gripado. Voltamos a critica normal, e descente, assim que eu conseguir raciocinar normalmente novamente. Ps.: Queria que minha namorada estivesse aqui... SIM! Homem fica carente quando estão doentes, e daí? As mulheres ficam todos os meses. Hunf.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Quem quer ser um milionário? Uma breve passagem sobre o filme de 8 estatuetas (Sem Spoylers)

Quem quer ser um milionario? Slumdog Millionaire – Danny Boyle – 2008
O filme, ao iniciar, nos coloca a seguinte pergunta: “Jamal Malik está a uma pergunta de ganhar 20 milhões de rúpias. Como ele conseguiu? A: Ele trapaceou B: Ele é sortudo C: Ele é um gênio D: Estava escrito" Não sei as demais pessoas que assistiram ao filme, mas isso me deixou intrigado. A partir daí não pude parar de assistir. Fiquei boquiaberto até depois da dancinha do final. “Este não é um filme comum”, isso não saia da minha cabeça, eu ficava pesando “Como a premiação de cinema mais forçada e parcial conseguiu ver isso?”. 8 Oscars, OITO! Mesmo para um ano ruim, e com o Batmam estando de fora das premiações, 8 oscars realmente é bastante, pior ainda, o filme mereceu. Não sei se a fotografia mereceu... Mas mesmo assim, é um lindo filme. Tudo se passa ao redor de duas coisas comuns a muita gente. A vida fudida de alguém, e um programa de tv que premia a inteligência através de perguntas com alternativas. No caso do filme o programa, se não é idêntico, é bem parecido com “Show do Milhão”, até a musica. E lá esta ele. Um Indiano comum, sendo zoado pelo apresentador, e respondendo as perguntas. Porem você sabe, pelo inicio do filme, que ele chegou a ultima pergunta. A indagação do “Como?” pulsa na sua cabeça gratuitamente. E mais, “Por que ele esta sendo torturado?”. Perguntas atrás de perguntas são feitas na nossa cabeça. E elas vão sendo respondidas com sutileza. Você tem que pensar pra entender o filme, mas não precisa pensar muito, tem que prestar atenção. E vale a pena prestar atenção. No meu caso, prestar atenção era a única coisa que eu conseguia fazer.
O cenário inicial do filme são as favelas da Índia. Agora imagina isso. Nossas favelas tem milhares de pessoas, as deles milhões. E são trash. Nelas, dois irmãos se divertem e vivem felizes. Até que... e segue o filme. Não vale a pena falar nada do filme, o que eu falei são as cenas iniciais. Depois o filme engrossa o caldo, e lá estamos nós, lado a lado com nosso fiel amigo Jamal. Torcendo pra ele no fabuloso jogo de perguntas. A história se passa e nos ensina tradições indianas, seus conceitos mais puros e simples, aprimorando os mais complexos. Nos mostra preconceitos e sofrimentos de um dos países com a cultura mais forte e vasta que existe. Cheia de deuses e crenças. Um mundo dividido com outras culturas e religiões, cheio de preconceitos, com uma forma de ver o mundo diferente de todas que ousamos conhecer. E, creio eu, conseguimos entender um pouco da Índia Real. Claro que vemos o Taj Mahal e o Velho Ganges. Mas isso é claramente uma critica e uma mostra do cenário. Vemos a índia se transformar de um país pobre para algo extremamente ostensivo. Tudo, ao redor da vida hercúlea de Jamal. Outra coisa que não saía da minha cabeça: todos os “vilões” do filme, bandidos de marca maior. Filhos da Puta, por assim dizer, eram brancos. Brancos como um europeu, um Americano, quem sabe um Inglês safado. Brancos. Por mais singelo que isso pareça, acho que é a critica mais marcante. Que mostra que o filme foi feito por indianos, e não por Gringos. A dancinha do final também prova que este filme não é o supra sumo de HolyWood. Critico, altamente critico. Critico a condição Humana. A vida de cada pessoa. A mídia, de certa forma. Aos estados unidos (tem uma passagem MUITO legal sobre uma nota de 100 dolares). Sobre Crenças e religiões. E sobre nos mantermos sempre do lado certo e justo de nossas vidas. Vale à pena assistir ao filme, e entender a resposta da primeira pergunta do filme. Sentir-se tocado, pelo menos que seja, por uma cultura completamente diferente. E uma vida cativante. E ai? Como ele conseguiu? A: Ele trapaceou B: Ele é sortudo C: Ele é um gênio D: Estava escrito Ps.: o que essa post tem haver com cocô? Assista ao filme.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Contra tudo que esta pendurado de um poste para outro

Aos que me conhecem bem, sabem da minha larga critica aos cabos de luz e telefone. Se existe algo desnecessário, antiquado e feio, são estas montoeiras de fios indo de um lado pro outro. Nem esteticamente eles são agradáveis aos olhos. E nós, homens do século XX, tão acostumados a esse cenário, dificilmente nos indignamos com este retrocesso. Ora, se o mundo progride, com novas tecnologias e sistemas, por que não pode a cidade, rústica e segmentada, também evoluir, mudar ou se transformar. Para mim, ver cabos por ai nada mais é do que um conformismo nosso e das nossas autoridades em deixar as coisas como estão. É deixar visível aquilo que sempre seremos, homens e mulheres regidos e guiados por fios, e nada mais, marionetes chicoteados por um sistema tecnológico velho, que já está mais que na hora de estar ultrapassado. Com isso, nos conformamos com o mundo ao nosso redor. Sorrimos pra poluição como sendo algo que sempre foi, para a violência como algo que é e para a estupidez humana como algo que sempre será. E simplesmente nos perdemos de algo que queremos e almejamos para um mundo melhor para nós mesmo e, para os pouco egoístas, para as pessoas que virão a habitar esse lugar. Pior cagada mesmo é quando, em vez de nos saudar com uma mudança real, escondem o velho, maquiando o novo. Como foi feito na Rua Sete de Setembro, aqui da cidade de Curitiba. Pegaram alguma boa quantidade de fios e enterraram... Sabe quem faz isso? Gatos. Gatos pegam o cocô e enterram na areia. É a mesma coisa. Não faz diferença pra mim enterrar o velho, deixe que o tempo faça isso, e que os arqueólogos possam se refestelar com uma descoberta dos primitivos homens do século XXI. Eu quero um mundo SEM cabos. Nem cabos de redes, nem tomadas, nem nada que ligue alguma coisa à outra, onde eu possa carregar meu abajur de leitura para onde eu quiser, ler onde eu estiver a fim, sem ficar levando o livro pra perto da luz. Algo semelhante a esta mudanças de conceitos simples que regem nosso dia a dia, foi feito na Revolução Gloriosa, ou Revolução Francesa, em 1789, que o ano primeiro do novo mundo criado, juntamente com os nomes dos meses, foram alterados para não ter ligações com o antigo regime, ou com antigas culturas e religiões. Mudar o básico permite ver o horizonte com outros olhos, com novas possibilidades.
Nos desprendermos dos grilhões dos cabos é um passo pra liberdade cultural e geral. Que nos permite rever conceitos, pensar em uma nova ordem, em um novo mundo. Que, sendo possível mudar o mais antigo cenário urbano, após a modernidade, é possível mudar todo o resto. Quem sabe, ruas e carros também se tornem obsoletos neste possível sonho de concreto. Máxima do dia: “Quem gosta de cabo é passarinho. E tenho certeza que eles não ligariam de ir cagar em outro lugar” –Victor Moura

segunda-feira, 2 de março de 2009

Higiêne 0,1

Maldição !
Estou desde ontem a noite tentando postar essa beleza de tirinha, mas o blog insiste em trocar as cores dela, ninguem caga ou mija azul... tudo bem que ninguem se preocupa com cor na hora de fazer, mas se na hora que voce vira e percebe uma coloração esta anormal (toda paleta de cores entre verde, marrom e amarelo), com certeza pensamentos como: "hum, esse vai dar trabalho pra limar" ou "espero que tenho muito papel" passam pelas cabeças, mas se ele sai azul... cara... vai ser o dia inteiro pra tentar lembrar o que voce comeu.

Boas Vindas!

Como diria Rogério Skylab “Cagar é bom quando agente esta em paz”. Porem, para nós, não importa o quão bom foi a cagada e seu alivio. A arte, a pura arte, esta em como limpar tudo depois. Sim, nós enxergamos beleza no improvável. E é isso que nos estamos fazendo aqui. Aprimorando a pura e simples Arte de Enrolar Papel Higiênico para todas as coisas do nosso dia a dia e alem. Perceber como o ritual de se levantar, olhar para nossa saudosa obra que se vai sem voltar, sem dizer adeus, sem assinatura nem nada, sorrir e enrolar meticulosamente uma quantidade a gosto de papel higiênico na mão e na seqüência, limpar aquilo que todos temos e mesmo assim temos vergonha de dizer, para que, amanha ou daqui a pouco, possamos fazer outra, nova, completamente diferente, é aplicável a tudo. Estamos aqui para comentar esta Higienização Fecal de nossas próprias vidas, através da arte, poesia , critica e qualquer coisa que estivermos afim. Afinal, todo mundo caga, “comeu cago, não cago, passo mal!” já dizia o ditado. Mas quem não sabe se limpar, ai sim, anda cagado. Máxima do Dia: "Um mesmo cocô não passa pelo mesmo anus duas vezes. (e se passar, você tem problemas!)"