segunda-feira, 26 de julho de 2010

Mudança

Bom, estamos mudando... vamos para outro endereço:
agora poderemos editar os textos, colocar parágrafos, por imagens com mais facilidade, em fim, tudo que o blogger não faz e pelo mesmo preço. Nada!
Espero que, se alguém nos visita, não se importe em trocar o link nos seus favoritos (pretensão é tudo). Continue lendo os textos, reclamando do tamanho e essas coisas. E da nossa parte, vamos tentar fazer atualizações mais de uma vez por semana. Vou cobrar do meu irmão Victor para começar a scanear os desenhos dele e vou tentar regular meus dedos e colocar textos mais curtos "tipo blog blahrg".
Aos interessados, me formei, sou agora o que se pode dizer Historiador puro. Bom, é só uma forma de considerar esses 3 anos e meio que passei na faculdade, já que me formei em Bacharelado em história e dar aula, pelo que descobri, é algo bem mais difícil para pessoas com o meu diploma... Que, até segunda ordem, não está servindo para muita coisa a não ser deixar seu dono orgulhoso!
Deixar o blog de lado em grande parte desses últimos 6 meses foi recompensador, algo que a vida raramente faz é recompensar o esforço, mas desta vez valeu a pena mesmo, até indico as pessoas que comecem a se esforçar para fazer aquilo que realmente gostam! Eu deixei de lado escrever, jogar RPG, as filmagens do meu documentário, trabalhar, ir com freqüência ao cinema e degustar cafés e gastronomia em geral para me dedicar a minha monografia 100% do meu tempo e valeu a pena, tirei 10! nota máxima, legal né? Agora vou voltar aos poucos aos meus antigos projetos, espero que agora, arranjar um emprego, terminar meus projetos e seguir na vida acadêmica não faça eu ter que castrar essas pequenas felicidades, mas quem sou eu pra prever o futuro?
Tirei um 10, porra, quando eu entrei em uma faculdade particular, sabendo que não teria grana pra pagar e dependeria 100% dos meus pais, prometi pra mim duas coisas, conseguir uma bolsa e tirar 10 na monografia, consegui as duas coisas. A bolsa foi só por um ano, mas creio ter ajudado meus pais nesse tempo. Agora com o 10 me sinto satisfeito, com um sorriso no rosto.
Semana que vem estarei na Argentina 10 dias de viagem! Foda né? Em vez de festa e essas merdas todas, vou viajar! Buenos Aires, Montevideo e Mendonza... uma viajem com promessa aos meus pais para ser a primeira de muitas! Acho que sou movido a promessas...
Em fim, é isso, se não vou extrapolar novamente as linhas e tornar isso "chato". Entre no novo endereço: http://higienefecal.wordpress.com/
Para finalizar um pensamento, longo, claro, mas nem tanto:

Nada como a ironia que o destino trás

É a única certeza que possa dar a qualquer um

Nada será como foi esperado

E no fim só as conseqüências vão prevalecer

Nunca vai existir um amor feliz ou triste

Nem alguém que vai lhe tocar para sempre

Tudo que nos move aconteceu tão rápido que nem sabemos quando aconteceu

Sabemos que foi, e que sempre será

Nada na vida é por acaso

Ou tudo não passa de errar sem parar

Nada pode ser explicado

Ou explicar pode ser simples de mais

Como embaralhar as cartas e distribuir aleatoriamente sobre um pano verde

Atrás das fichas coloridas e dos copos de whisky, sob a fumaça dos cigarros

Tudo fica pra trás ao passar abaixo do neon

Deixando os carros e as putas na calçada molhada

Nada mais pode nos perturbar quando entendemos que nada vai mudar a aposta

Sempre será o suficiente, o limite esperado

Tudo simplesmente vai acontecer para sempre

É vai durar tempo suficiente que, em algum momento, possamos entender

Que no fim, o que nos sobras é as ironias do destino

sábado, 22 de maio de 2010

Ryotiras sabe das coisas

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sonho meu...

Não sei como funcionam os sonhos. Mas hoje tive dois dos quais eu consigo me lembrar. Raramente me lembro do que sonho, dos poucos que acontecem, eu tento lembrar tudo, nem que eu tenha que montar eles novamente, do meu jeito, durante o dia.

Hoje foi perturbador. Foram dois sonhos por que um foi um sonho confuso e perturbador e outro um pesadelo revelador e perturbador. Vou tentar descrevê-los aqui, com certeza ficara muito confuso, com falta de informações, mas bom, acho que pode valer à pena.

Tudo começa em uma mansão repleta de mulheres de pouca roupa, loucas para fazer sexo. Tudo na verdade é uma espécie de filme pornô no qual eu sou o diretor. Ando pelos corredores repletos de escuridão e luz vermelha para todos os lados. Na verdade, grande parte da mansão é composta de corredor. Está casa é comum em meus sonhos, não sei definir onde e quando eu entre em um lugar assim, mas é perturbador sempre. Repleta de espelhos, esquinas espelhadas e portas com halls de entrada fundos e pouco iluminados. As portas de madeira com números pregados. Como se fosse um hotel, mas sempre tenho pra mim que é uma casa, uma única casa e, normalmente, ela me pertence, é este o caso no sonho.

Há correntes e tiras de couro no teto, e mulheres nuas correndo de um lado para todos os lados. A personagem principal é uma mulher grande, com coxas grossas e seios fartos. Uma bunda grande também. É ela que apresenta os quartos e as convidadas. Tudo parece confuso e corrido. Fico sempre irritado por não conseguir ângulos bons e xingo a produção por me meter nessa furada. Tudo parece mais um reality show do que um filme propriamente dito.

A personagem principal não é querida pelas outras moradoras da casa. Quando todas vão para uma festa em um quarto principal, ela fica de fora. Até que, não sei como nem por que, ela entre e ofende uma mulher que parece uma freira. Há um desentendimento. As coisas se agitam, uma orgia começa, e eu estou envolvido nela. No fim, tenho que voltar ao trabalho, me sinto alcoolizado, mas sigo a atriz principal. Ela está em um quarto que parece uma academia, acariciando um consolo grosso, comprido e macio. O curioso é que ela não brinca dentro dela com o brinquedo, mas fora, como se fosse dela, algo como se ela desejasse que aquele membro fosse dela. Ela sente prazer com isso. Ela fala isso comigo, que sente inveja de mim por eu ter algo que ela gostaria.

Quando entra no quarto a freirinha, ela se assusta, diz que é por esse motivo que as outras meninas não gostam dela. Não gostam do jeito como ela olha para elas. Por ela não aceitar quem ela é.

Em uma conversa meio confusa, por que meus sonhos nunca tem sons, mas interpreto como sendo uma forma de sedução da atriz para com a freirinha, na qual a freirinha acaba sendo seduzida e, de alguma forma, o membro de brinquedo se acopla na atriz que faz um sexo muito confuso com a freira, pois o membro parece ser feito de água e preenche a freira de uma maneira muito confusa. Mas que parece dar muito prazer as duas.

Ai parece que tem uma pausa, e eu vou para um quarto icônico (para mim, pois parece o quarto de um escritor) onde eu vou pensar sobre tudo, em como trabalhar com isso tudo, repensar roteiros, pois essa atriz não era tão importante, mas ela parece ter algo a dizer. Em fim, eu sei que o sonho mudou para outro por causa da mudança de luz. Esse sonho confuso era escuro, mas colorido, agora estou em um lugar iluminado mas em preto e branco, e isso indica que estou em um pesadelo.

Nunca aconteceu isso comigo, digamos que tudo aconteceu em plano seqüencia, um sonho foi para outro. Eu ainda estava na mansão e isso era tudo que indicava que era o mesmo sonho. Mas não havia mais as meninas, não havia mais luzes vermelhas nem nada. Somente alguns amigos me contando as coisas horríveis e estranhas que aconteciam naquele lugar.

Era minha casa, eu ria mas me sentia incomodado. Nos dois momentos eu sempre soube que era um sonho. Há anos que não me permito sonhar sem saber. Quando novo eu tinha pesadelos diariamente. Sempre acordava impressionado e tal. Acordava esticando a mão ou rolando na cama me esquivando de alguma coisa. Ou pior, me empurrando com o grito preso na garganta, olhando para as sombras do quarto com desconfiança e indo ver TV durante todo o resto da noite.

Ultimamente até que tenho tido esses sonhos confuso, normalmente acordo sem lembrar. Mas sempre sei que são sonhos, e me deixo levar pelo prazer de tentar entender o que se passa na minha cabeça. Não sei se isso acontece com todo mundo, mas acontece comigo.

Em fim, estava eu no quarto, e os amigos ou pessoas, por que, diferente dos outros sonhos, eu não reconhecia o rosto de ninguém, normalmente os rosto eram turvos ou escuros, no caso do sonho das mulheres os rostos eram sempre turvos, no pesadelo era negros de sombras. Nem aquela sensação de saber quem são mesmo sem saber o rosto me veio, eram só pessoas que eu deveria confiar, como em uma história de Edgar Alan Poe.

O fato é que bebemos um pouco e (novamente fazendo algo que nunca fiz em outro sonho) saímos da mansão, e fomos meio bêbados por uma floresta ao redor da mansão até uma casa de madeira atrás da mesma. Me lembrou um pouco uma das casas que imaginei ao ler “O Valete de Espadas” de David A, Daniel, mas não sei se era.

Em fim, neste casa, um desses amigos falaram que a muitos anos atrás minha avó tinha aprisionado uma garota naquela casa de maneira, e que aquela casa escondia muito mistérios. Porem, que muitas pessoas da vila próxima a mansão ou os antigos caseiros iam até aquela casa e estupravam a menina e que ele estava afim de dar uma fodinha hoje.

Ele foi em direção a casa. Eu fiquei pensando, achei que era uma história para me impressionar ou algo assim, mas senti algo maligno naquela casa. Estávamos em três, ele entrou na casa, e nunca mais voltou. Fiquei preocupado, uma chuva forte começou a bater, dei a volta na casa e vi, na janela de traz, uma menina apoiada em uma bancada ficando inteira enquadrada na janela, ela olhava pra mim com um sorriso. Ela tinha uma calça preta, uma roupa preta ,um rosto muito branco, olhos negros e um cabelo longo meio ensebado e preto, ela olhava pra mim fixamente, não lembrava a Morte no Neil Gaiman, mas se passaria por ela tranquilamente. Meu outro amigo saiu correndo. Neste momento uma luz brilhou, no que descobri, uma janela abaixo da menina. Ela brilhava para o lado e não para fora da janela, como uma lanterna, mas eu sabia vir da mão de alguém, a palma da mão de alguém. A menina falou “Não olhe para a luz”.

Neste momento eu deixei de saber que era um sonho, a presença daquela menina me prendeu e a minha curiosidade me deixou absorver pelo sonho. Novamente, coisas que nunca aconteceram, ela falou e eu me perdi no sonho.

Sai correndo, dei a volta na casa, e abri a porta e vi que tinha uma sala escura que dava para algumas portas, eu sabia que em uma delas estava à menina nas outras eu não tinha idéia.

Voltei para a mansão em busca de ajuda e novamente, voltei em três para a casa de madeira, na janela de trás. A menina estava na janela parecia ler alguma coisa, mas não olhava para fora. Fazia frio, chovia. A luz piscava, e os dois que estavam comigo ficara cada um de um lado da janela tentando olhar. Eu me mantive na mesma distancia de antes, um pouco distante. Parecia que a câmera tinha sido ligada e não tinha sido movida. Eu via os dois tentando olhar pela janela de baixo e não ver nada. E falavam que estava escuro de mais pra ver, mesmo com a luz piscando.

Um deles me falou de uma história antiga, que uma mulher talvez minha avó, tinha olhando a luz de frente, e tinha morrido, ali mesmo. Muito estranho. A menina confirmou a história, ela não sabia também de nada, mas sabia que a luz era especial.

Eu falei que ia olhar, eu tinha uma idéia, eu queria saber o que era. Falei que eles tinham que me tirar dali se algo acontecesse, eles prometeram que sim, a menina ficou olhando, a mão se iluminou para fora da janela, e eu vi a luz. E tive uma revelação. Eu, particularmente, não sei o que era, mas só sei que eu voltei a ter consciência de que era um sonho, e que, pelo que eu sabia de H.P. Lovecraft, que sede de mais ao conhecimento acaba ficando louco. Assim, eu fichei os olhos, e sai da direção da luz, e as pessoas ficaram me olhando, e eu fiquei bem, e a luz ficou brilhando para dentro do quarto novamente. Eu sentia que ela, a luz, sabia que eu tinha vencido, mas ela sorria pra mim. De alguma forma ela sorria. Não sei como. Só sei que dei a volta no quarto, e abri a porta da menina e ela olhou pra mim e saiu andando. Falou que isso podia ser a coisa mais idiota que eu faria. Mas que achou certo eu fazer. E saiu pela floresta.

Eu sai também, voltei para a mansão. A única coisa que eu tinha posto da minha mente era que eu não devia me importar. Que eu devia me manter indiferente a tudo isso e manter feliz com o poder que eu havia ganho. E vivi a vida durante anos, prosperei, ganhei riquezas, fiz família, e sempre me vinha à mente a luz brilhante da janela em baixo da menina. Eu tentava esquecer e não me importar. Até que fiquei velho, comprei um moleskine e comecei a fazer anotações. Eu sabia que os personagens do H.P.Lovecraft escreviam os diários, e eu ia fazer um para alguém um dia me entender.

Escrevi toda a história, da menina da janela de cima, da luz da mão de baixo. Do que eu senti ao ver a luz, de eu ter fechado os olhos. E nesse momento eu me senti conectado com a mão. Com o que quer que fosse o portador daquela luz. Senti-me uma marionete dele, alguém em seu poder. E que tudo que eu consegui foi graças a ele, e eu não era nada.

Então começou um jogo mental. Eu pensei que, depois de anos, por eu começar a pensar no assunto, um elo empático deve ter se formado, algo que não existia antes, que eu estava bem de vida e isso bastava e, se eu fosse mesmo uma marionete, quem não era? Eu tinha poder, felicidade, riquezas e isso bastava, eu ia morrer um dia, e nada mais ia importar.

Então senti medo pelo meu diário. Senti medo que alguém lê-se e se torna-se um novo boneco manipulado. Pensei que eu deveria resolver isso antes de morrer. E que eu deveria saber se eu era mesmo manipulado. Reverti minha herança, me livrei de tudo que me fazia feliz. Esperei o momento certo e voltei a ser um miserável, pois sabia que assim ninguém podia me tirar nada e nem fazer alguém que eu amasse sofrer. Afinal, mesmo com filhos e amigos eu sempre fui um cara sozinho. Isso era algo do meu sonho, parece que eu me controlei a vida toda para esse momento.

Então, me fodi pra achar a mansão novamente, e os novos donos não queriam me deixar entrar, e nem sabiam de casa alguma nos fundos. Mas ainda moravam os caseiros, da casa, ou os filhos dele, em fim, eram os mesmo personagens. Talvez a menina tenha me ajudado a entrar, não sei, só sei que voltei para ver a mão com a luz, consegui ver a casa, mas não tinha nada. Entrei pela porta, e ninguém, as porta estavam lá, abertas, e sem ninguém.

Parecia haver um esqueleto, ou algo assim, mas era só longas sombras. Então eu voltei a escrever o diário, esperando que alguém, com mais juventude e disposição o encontrasse diário e resolvesse esse mistério. Pois era fascinante, algo tinha acontecido comigo, ouve a menina que desapareceu com meu amigo, mas ela era sofrida e ela merecia ser livre. E ouve a luz na palma da mão, e o conhecimento que eu recebi. Essas coisas existiam e deviam ser reveladas ao mundo. Mas tive medo pelas pessoas próximas de mim, tive medo de entregar isso para alguém e ser o responsável por condenar alguém para sempre. Então eu ia deixar isso em uma biblioteca, perdido em algum lugar sem catalogação. Para na aleatoriedade da vida ele fosse encontrado. Se é que existia aleatoriedade na vida. O que quer que fosse pra ser será. E eu acordei.

Passei o dia tudo pensando nisso, nos dois sonhos e em mim mesmo. Não cheguei a muita conclusão. Só entendi os motivadores dos livros de H.P. Lovecraft que fazem alguns anos que eu li. Eu tenho visto muita pornografia na internet, talvez. E que, no fim, sonhos são muito bons para mexerem conosco e parecem nos forçar a uma reflexão de nós mesmos.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Passavam da meia noite, em um Subway qualquer...

Por algum motivo a conversa enveredou para filosofia. Estávamos em seis apertados, sentados em uma mesa e alguém, que chamarei de Keda como alcunha meramente ilustrativa, pergunta: “O que você sabe sobre Platão e Socrates”? e assim foi. Nada melhor que conversar sobre filosofia, mas como sempre, falar de filosofia no passado, quando você é um dos únicos que entende sobre o assunto em uma mesa, vira um monologo, sempre comentado, com opiniões e sugestões de momentos vividos que refletem o tema, mas em grande parte um monologo. Serve para relembrar essas coisas que quase nunca vem a mente quando se precisa.
Mas, em um momento, a mesa muda de posição, um de meus amigos, que chamarei de Frajola como uma alcunha meramente ilustrativa , faz a pergunta crucial de toda uma existência “mas afinal, pra quer serve essa merda toda”, como merda entenda o conceito filosófico geral, a historicidade das idéias e o contexto onde tudo isso se encaixa. Merda, para ele, é simplesmente todo o estudo do conhecimento, o descobrimento humano, o alto conhecimento e a elaboração de problemáticas para a sociedade. Merda é o ápice do conhecimento humano, o que nos difere um dos outros, o que nos faz humanos por essência e por natureza.
Na tentativa de responder parece não haver palavras simples para conceituar toda essa merda, que no fim, torna-se uma merda mesmo, sem sentido e ou qualquer relação com a realidade. Nisso as opiniões se diferem, a discussão sai dos eixos e parece que não vai voltar pro lugar. Socrates e Platão ficaram lá trás de Descartes, Kant e Nietzsche, a filosofia correu para o canto do quarto no meu cérebro e lá ficou, escondida e acuada por toda a historicidade teórica que eu tenho bebido em larga escala nos ultimo dias. Nos saguões com altos pés direitos, com cúpulas e abóbodas cinzas e escuras, com lindas tapeçarias vermelho e laranjadas que formam minha mente somente ecoava “mas pra que serve essa merda toda?”
Não vou negar, tentei responder alguma coisa, algo como “a filosofia serve para entender das coisas, do ser humano, do comportamento, da existência em si, da própria realidade”. Uma amiga retruca dizendo que não “a filosofia é o conhecimento de si mesmo”, concordo com ela, mas não discordo de mim. Minha namorada, com veemência coloca “é o estudo do conhecimento”. Tendo articular que todos estamos certos, mas fica confuso. A utilidade da filosofia ainda fica algo etéreo,sem sentido aparente. Vejam bem, meu amigo Frajola é um tecnólogo, algo muito próximo de um engenheiro. A filosofia tem que ser algo como uma ferramenta para que ele entenda.
Obvio que na hora Foucault corre para o esconderijo mais recluso no pique-esconde da busca por informações na mente. Afinal, ele fala que Nietzsche é como uma caixa de ferramentas, e que dele devemos tirar aquilo que nos é útil. Obvio que ele usa essa explicação para um uso teórico de suas pesquisas, mas e daí? É uma boa resposta, a filosofia como ferramentas para compreender a vida. Mas claro, mesmo essa resposta fica complexa a alguém que não se afoga nos grandes pensadores. Eu precisava de algo mais tangível.
Bom, como dizem, fui dormir com essa barulho. Merda merda merda. Estava quase olhando para meus livros na estante como grandes enfeites inúteis. Porem, lendo Michel Onfray, “A Política do rebelde”, em quanto ele fala do âmago revolucionário e as necessidades do homem, em uma de suas ode ao Maio de 68, ele coloca algo que calou fundo dentro de mim. O homem tem duas fomes vitais para sua existência, a fome física e a fome de conhecimento. Não há como o homem viver sem as duas coisas, a falta de uma delas o faz se sentir incomodado.
Tive que parar e refletir sobre isso. Uma pena não poder acender um bom cachimbo, pegar um café expresso e meditar sobre. Mesmo assim, me reclinei no espaldar de minha cadeira quebrada e pensei: “Porra ta ai uma boa verdade”.
É difícil achar verdades, e mais difícil ainda achar alguém que as fale. Admito que não estava indo lá com a cara do Onfray, ele é anarquista, o que é bom, e Nietzcheano, o que é muito bom também. Mas o cara usa muita imagem em seus textos e sempre volta pro Maio de 68 que torna tudo meio repetitivo. Mas nessa o cara acertou na mosca.
Duas fomes, e uma dela, um bom prato principal é a filosofia. Se refletir não há como um homem viver sem conhecimento, para tudo ele tem que saber algo. Para pertencer há um grupo de amigos, para se inserir no mercado de trabalho, para entender como sobreviver. Tudo envolve conhecimento. Desde possuir relações sexuais, até para questões mais cotidianas. O conhecimento é vital para nossa existência, a falta dele incomoda. Quando estamos em uma roda de pessoas, e elas estão falando de algo que não sabemos, parece que tudo está estranho e fora de contextos, parece que nós estamos fora de contexto.
Quando não temos tais conhecimentos e somos famintos a eles porem não saciamos nossas vontades, nos afastamos e viramos pessoas mesquinhas e egoístas. Quase como diz Platão sobre beber de mais no rio Lep. “Coisas” (conhecimento, ações sociais, relações, etc...) tornam-se distantes e sem valor para nós, porem, o desconhecimento nós faz pessoas menores. Não saciar é como uma pessoa que fica com raiva quando com fome, ou muda seus hábitos para saciar a fome. Algo como “cara feia pra mim é fome”.
Creio que quando mais nos aprofundamos na metáfora mais forte ela se torna. Curioso.
Para isso que serve a filosofia. Para saciar esta fome, para levantar questões e responde-las. Para incomodar e fazer pensar. Para nos instruir e mover.
Eu, particularmente, gosto de comer bem, comida mesmo. Gosto de sentir sabores e texturas, apreciar uma boa bebida. Gosto de comer. Como leitor tenho o mesmo defeito da gula, pode ser uma erro um acerto, quem sabe? No fim o importante é ser feliz. Mas essa metáfora caiu muito bem. Filosofia serve para preencher o vazio da mente, matar a fome.
O resto, é especulação.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Laerte é Deus:

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sentei a beira do abismo e esperei. A brisa fria do entardecer me arrepiava os pelos do corpo. Estou nu, como vim ao mundo, sentado em um banco de praça com os pés balançando sobre um abismo infinito Estou esperando, esperando alguém vir ou algo acontecer, não sei. Somente espero. O céu esta cinza, aquele cinza claro que se prestar atenção parece ser azul, mas é cinza. Limpo e claro. No horizonte só consigo ver o infinito, sem montanhas, sem o mar, sem planície. Somente o abismo, o penhasco sem fundo que traz o ar gelado para minha pele, fazendo o corpo lentamente ficar dolorido, tendo leves tremidas. A profundeza me leva para longe, como a natureza pode ser tão bela na imensidão do vazio? Como nos sentimos pequeno diante de algo que nada significa e nada representa? O restante do sol do dia esta nas minhas costas, então somente sombras e escuridão moldam a paisagem. Mais nada, mais ninguém. Somente meus pés balançando sob o infinito, minha pele mudando de tonalidade com o frio, e meus olhos não conseguindo conceber toda a grandiosidade do vazio. Como se formou essa imensidão toda? Terá sido um mar? O vento? Chuvas? Algum vulcão ou movimentação das placas tectônicas? Parece haver um mistério insolucionável, curiosos e divino por toda a parte que está preenchida com o ar. A fascinação nos leva a uma profunda reflexão geográfica e filosófica sobre a existência das coisas. A vida, como ela é, também contem essa essência do vazio. Como um sopro mágico que nos faz estar vivo, ou o significado maior para explicar onde nós estamos contidos. O abismo é toda a grandiosidade da vida, da nossa existência da possibilidade de algo maior existir e estar ao nosso redor. Porem, na mesma metáfora, toda a grandiosidade da vida e da existência, a possibilidade de haver algo maior, não passa da sensação de um grande vazio interior que nos oprime como a pressão atmosférica sobre nossas costas. O abismo, somos nós mesmos. Nossa vida e destino. Ali, a imensidão sombria e vazia é um reflexo preciso de mim, do meu corpo nu e de todas as coisas. Quanto mais eu encaro o abismo, mas ele me encara, de frente, profundamente, como um adulto que nos olhos de cima, impassível, inquisitivo e capaz de nos punir. A revelação me desperta, e ao meu lado está um homem com cabelos bem penteados para trás, um vasto bigode e um olhar serio. Ele está com lagrimas nos olhos. Pergunto o que aconteceu. Ele também encara o abismo, depois olha para mim e diz: “Briguei com meu melhor amigo”, uma lagrima escorre solitária em seu rosto “Briguei com Wagner”. Ficamos os dois em silencio. Olhando as sombras escurecerem cada vez mais a nossa frente. O ar ficar mais gelado com o passar dos segundos. Meus pés balançam como uma criança sentada sobre a mesa que brinca com o pendulo de suas pernas. Ele soluça algumas vezes, limpa as lagrimas em pranto na manga do palito. Somo grãos de areia na praia, somo a essência do vazio do abismo, somos o próprio abismo, beirando a queda. Rente ao fim derradeiro, encarando o desconhecido sempre nem ao mesmo fazer idéia do que temos ou somos. Nossas vidas se preenchem com o nada, e nada mais importa. E quando temos um amigo, uma família, um objetivo ou um sonho, tudo começa a valer a pena. Porem, ao ruírem, partiram para a imensidão do abismo, para longe de nossos dedos, a imensidão torna maior, amedrontadora. E a solidão assume nossas rédeas e nada consegue tirar o trem dos trilhos. Não há palavras de consolo, nem mesmo mão amiga que faça as coisas melhorarem. Somente o tempo, somente a reflexão sob o abismo consegue nos fazer aceitar a queda, mas não entende-la, nem mesmo superá-la. “Você fez bem”, respondo, voltando a encarar as formas sombrias do fundo do abismo, “ele era um idiota mesmo”.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Alguém lê esse blog? A meses não vejo um comentário nos textos. Sempre que recebo alguma critica ela vem pelo meu irmão, e acabo imaginando que ele inventa só pra me deixar feliz e eu pensar que tem alguém que Lê e eu não em sentir falando sosinho. Também, sei lá se vale ler essas merdas todas. Enfim. Tanto faz. Este final de semana cobrir o World RPG Fest, um evento de RPG em Curitiba, passamos o final de semana todo correndo atrás de noticias e escrevendo durante o dia todo. Foi legal, o site WWW.liganerd.com.br teve muitas visitas, deixamos passar muita coisa mas só estávamos dois no evento e foi foda. Tenho meu terceiro capitulo da monografia para terminar, alguns livros ao lado do computador para ler e retirar citações pertinentes, e fica cada dia mais cançado. A falta de grana e outros problemas mais da própria vida fazem tudo parecer incerto e inútil. O que fazer? As coisas são assim mesmas... Ouvi dizer que alguém leu o site e disse que meus textos começam muito bem e terminam fraquinho. Não sei se as pessoas olham pra mim e pensam “que bunitinho, ele tenta escrever” ou “Nossa, que textinho legal, vou corrigir ele pra ver se ele melhora”. Que saco! Eu uso figura de linguagem textual pra formular um argumento narrativo condizente com uma determinada ajuda emocional para carregar o leitor. Eu uso esse blog pra testar teorias que imagino que darão certo para, no futuro, escrever um livro descente. Ainda tenho que corrigir alguns desentendimentos meus com a gramática, mas estou me aprimorando a cada dia mais. Acho um saco ter que explicar as coisas, mas tudo bem, lá vai. Penso nos textos que levam o leitor de um clímax para um anticlímax. Textos depressivos e reflexivos, e não divertidos. Pira é, fazer um final clímax leva o leitor em borá sorrindo, um final anticlímax faz o leitor gravar o texto na mente, e refletir sobre ele. Algo como “caralho, o cara morreu no final. Sozinho, sem ninguém, de uma maneira brutal e sem sentido, que triste isso” depois a reflexão se estende, da onde veio a violência? Por que ele estava sozinho? Eu quero morrer assim? Essa é a pira do que eu escrevo. Eu gosto de escrever assim, e essa é a proposta do blog: Higiene Fecal. Que é passar papel higiênico no cu. Algo como, tirar a merda de um lugar e levar pra outra, mas sempre vai haver merda. Limpar a bunda, hoje, é uma das necessidades vitais para o ser humano, tanto na área da saúde quanto na de sociabilidade. Quem não limpa o ânus com toda certeza deve ser uma pessoa muito estranha. A vida é assim. A vida é uma sucessão de merdas que acontecem, que nós tentamos paulatinamente evitar ou trocar de lugar. Não há a possibilidade de ser feliz, ninguém se vê sempre feliz, por que sempre teremos problemas. Problemas grandes ou pequenos, mas sempre iremos nos incomodar. Tem alguém musica do Frejat, que tem a frase que diz tudo “Sabemos que rir é bom, mas rir de tudo é desespero”. Se você é feliz ao ponto de nada te incomodar, com toda certeza você é tão tongo, idiota e ignorante sobre o mundo a sua volta que nem vale a pena ter você ao lado. talvez uma comunidade de pessoas tongas, sem duvida, seria um porre. “Bom dia Mundo” bom dia pra quem? Pro afegão e o judeu que tem medo de dormir e não acordar no outro dia? Pra família que foi dormir com fome? Pra criança sendo violentada por algum parente? Pro chinês que não pode ver pornografia na internet? Pro negro ou pro branco sendo espancando em algum lugar do mundo? Que mundo é esse que terá um bom dia? Mais justo seria dizer “Melhor Mundo!” Nenhuma história na vida real começa com era um vez e termina com viveram felizes para sempre. Não adianta iludir você com um texto assim: “Márcia, uma jovem e bela garota acorda com um sorriso, sabe que daqui a 7 meses, 22 dias e 16h será natal. E ela esta feliz. Ela tira os pés da cama direto para suas pantufas macias e desce para a cozinha, já sentindo o cheiro de ovos, suco de laranja e pão de queijo quentinho. Ela escorrega pelo corrimão direto para a sala de visitas, e corre pela sala de jantar até a cozinha, onde uma mesa de 12 lugares a aguarda, repleta de guloseimas. Seu pai esta sentado na cadeira ao lado, com o jornal aberto na contra luz da janela. Ela beija forte e estalado a bochecha do pai, pois Márcia adora sentir o cheiro do pós barba do pai. Sua mãe esta sentada ao lado. com os óculos na beira do nariz, lendo um livro. Os dois sorriem para ela. Sua mãe sussurra, ”bom princesa” quando dá um forte abraço na filha”. Ela da a volta da mesa, pegando um prato ao lado da mãe, e se servindo com pães, geléia, bolo e, quando chega a frente de seus pais, se senta, se servindo de suco. Em quanto como, seu irmão mais novo entra na cozinha. Já vestido para o colégio e com uma cara de sono. Arrastando Kratos, seu ursinho de pelúcia. Ele se senta ao lado da irmã, sua mãe lhe estende um prato com um pedaço de bolo de chocolate e sanduiche de presunto e queijo. Depois, coloca um copo grande de achocolatado bem escuro e morno, do jeito que ele gosta. Márcia está feliz. Agora só faltam 7 meses, 22 dias, e 15h para o natal! Ela está pronta para o colégio, e seu pai buzina do lado de fora. Ela olha pela janela do quarto e vê que ele esta com o carro com bancos de couro. Ela sorri. Seu irmão mais novo sempre faz sons estranhos naquele carro, ela desaprova, mas acha muito divertido. Daqui a pouco ela ira para a aula vai rever todas suas amigas e terá aula de matemática com a professora Ana Maria, ela adora! Será um dia em tanto. E ainda é segunda feira!” FODASSE MÁRCIA do caralho! Você NUNCA acordaria as 8 horas para ir para o colégio! Muito menos sairia as 9h! Não EXISTE Pollyanna! A própria Pollyanna era um porre! A melhor versão daquela órfã do cacete foi escrita por Alan Moore em “A Liga Extraordinária”, onde, no orfanato dela, se escondia o Homem Invisível, e ele a comia todos os dias de manha, e comia bem. Por isso ela estava sempre de bom humor. Sem TPM, sem preocupações, simplesmente acordava gozada e sorridente. E sem se sentir culpada, já que para ela era um delírio diário, normal, e não um estupro constante. Em um mundo normal, ela escorregaria um dia do corrimão e quebraria um braço, pelo menos! Sem duvida, ela odeia o irmão, que irmã gosta do irmão mais novo quando ela tem uns 13 anos de idade? E pior! Ela gosta de sentir o cheiro do pós barba do pai? Isso seria um sinal do complexo de Electra? Inveja do pênis? Que porra é essa? Sem duvida ela tem problemas! E terá problemas com relacionamentos futuros. E o irmão, deu o nome do deus da Guerra pro seu ursinho? Ele quer ser protegido de algo? Do que ele tem medo? Outro problemático na família. Não existe história 100% feliz, nem mesmo nas histórias de literatura. Na fantasia, chapeuzinho vermelho se fudeu, branca de neve se fudeu, cinderela se fudeu, todas se fuderam. E vão passar por outros maus bocados no depois do viver feliz pra sempre. Então, de que adianta fazer uma história feliz, se não existe histórias felizes?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Os poucos que me conhecem bem sabem que sou um cara nostálgico. Sei que me conhecer bem não faz ninguém ser melhor que os outros, mas isso diz muito sobre o autor, e desta forma, vejo como importante informação a ser compartilhada. Afinal, se você esta dando o trabalho de ser estas linhas, significa que você, de certa forma, se importa com o que esta lendo, logo, como diria aquele homossexual do Foucault, “o autor”. (Chamo ele de homossexual não para ofender esta ilustre personalidade, mas por que, quando esse francês ia para os estados unidos, ele dava o Cu. E por dar o cu imagine qualquer coisa que um acadêmico, honrado com uma cadeira na ecole de France sendo professor renomado e considerado estabelecido, possa fazer.) Tirando essa informação relevante, mas desnecessária, vamos ao que importa. Nostalgia. Nostalgia é um perfume em Watchman; Nostalgia é aquele sentimento que nos faz sentir falta de algo que nos fazia feliz; Nostalgia é alquilo que criança nenhum saberia dizer o que é. Hoje, estava eu comprando duas revistar em quadrinhos, Batman 89 e Vertigo 5. O cheiro das revistas, o Batman, a selo Vertigo, Hellblazer... quadrinhos em fim, me fazem lembrar de um tempo em que eu lia revistas do pato Donald em quanto cortava o cabelo em Laranjeiras do Sul. Esta sensação fez meu dia tão agradável e tranqüilo que em poucos momentos estava lembrando do canal manchete as 18h da noite, sentado com os amigos na cama de meus pais esperando a bateria de animes que, no futuro, formariam meu caráter, personalidade e hobbys. Hoje, não existe mais Manchete. Nem tenho saco pra ler Pato Donald. Comprar essas duas revistas levaram ao fim o meu ultimo salário de um mês atrás. Agora, estou desempregado. A perspectiva de continuar minha coleção de revistas foi embora com a ultima passada do meu cartão magnético. Faz semanas que economizei essa grana pelas revistinhas, e agora, não poderei mais comer um lanche diferente durante a semana, nem mesmo comprar a Vertigo 6 (sei que não comprarei a Batman 90 pois o Neil Gaiman não continuara roteirando a revista) e o mundo, torna-se cinza novamente. Claro que estou me fudendo pacaralho escrevendo minha monografia. Prazo correndo solto, alem de pensar que tenho um capitulo de um livro para escrever até o final do ano. Pode parecer tempo o suficiente para vocês, mas para um acadêmico com a fralda suja de coco, seis meses parece todo o tempo que não terei tempo para fazer isso. A falta de grana encurta as perspectivas de uma vida despreocupada. E é nesse momento que aquele sentimento de nostalgia parece se impregnar em cada coisa que se faz. Olhar os livros na estante, ler um quadrinho após o outro. Conversar sobre desenhos animados, em fim, tudo. Tudo nos faz lembrar daquele tempo em que não precisávamos nos preocupar com tanta coisa. Diz um provérbio que precisamos da dor para nos sentir vivos. Quando estamos sonhado, pedimos para sermos beliscados, e não acariciados. A felicidade suprema não parece real. Tudo que nos faz feliz são coisas momentâneas que se vão e ficam na saudade. Na nostalgia. É engraçado como somos escravos dessa vida cabisbaixa. Não parece haver uma solução certa para uma felicidade que não seja comprimida, pasteurizada e obsolecente. Ler revistas em quadrinhos é um momento de refugio, de fuga. De sentir-se criança despreocupada em uma ilha deserta de um mundo intocável pelas outras pessoas para que, em fim, você possa rir de alguma coisa. Se sentir bem de alguma forma. Como jogar videogame, ler romances policiais ou conversar com os amigos. Contudo, tudo parece se invadido por aquela sensação de responsabilidade, de prazo e cobranças que o mundo lá do outro lado do horizonte pare cobrar. Não existe panacéia. Seremos adultos infelizes, na busca da felicidade eterna e constante. Pois sempre teremos que sacrificar aquilo que nos faz sentir bem para poder ter a possibilidade de fazer aquilo que nos faz sentir bem. Não importa ter dinheiro, não importa ter uma mulher fogosa nos esperando na cama todas as noites. Não importa um home teater em uma sala com uma teve confortável e tela plana. No fim, vamos esperar o dia todo para sentarmos na cama apertada, acender o abajur e ler, quadro a quadro o que acontecerá com o homem-morcego. O trabalho mais legal do mundo será a rotina diária de coisas legais, e uma hora, a piada repetitiva perde a graça. Depois, ver as mesmas pessoas, começar a reparar seus defeitos e aquilo que te incomoda fará tudo parecer a mesma coisa na seqüência dos fatos. As vezes previsível, as vezes chato. E o dia será aquele em que você tomou 4, 5, talvez 12 cafés para poder agüentar tudo aquilo que você já espera. Haverá férias, claro. Mas há férias para você viver um pouco alguma coisa nova, talvez incrível, fascinante. Aquilo que te mudará para sempre. E tudo acaba. E vira nostalgia. A escatologia do mundo está para as coisas felizes, e não para as tristes. A religião errou o alvo. Quando tudo acabar, não iremos para o céu, iremos para um lugar que, de fato, não será tão legal quanto aqui. Pois, só o que é bom dura pouco, só o que vale a pena acaba. O resto, o resto vai estar sempre ai. Um dia sua mulher fogosa vai estar cansada do trabalho, ou vai perguntar alguma coisa que te fará pensar muito por muito tempo. Um dia seu chefe legal vai morrer. Um dia vai acabar o café. Um dia vão construir um prédio grande na frente da sua janela e você não terá a visão agradável que você sempre gostou de ter quando estava escrevendo no computador. Um dia. Pelo simples acaso do destino, você terá um dia ruim. E como diria o Coringa, basta um dia ruim para você ficar louco. Mas é curioso, aquela nostalgia, aquele cheiro de revista nova. Aquela sorriso do Robin, aquela sacada da Mulher gato. As frases do Comissário Gordon, as tiradas do Constantine. Fará você rir, e valerá a pena. Um dia você estará andando na rua, de mãos dadas com sua namorada, pensando que o mundo, de uma maneira fisicamente comprovada, é uma bosta. E uma outra garota, linda, do outro lado da rua vai sorrir pra você. E sem motivos aparente você vai sorrir também, e vai olhar pra sua namorada e entender por que ela te ama, e por que você a ama. E simplesmente assim, você terá um dia feliz. A busca pela felicidade é ter uma sacada descente em um momento oportuno e sorrir sozinho. Não vejo outro motivo para ficar vivo se não fosse a nostalgia. Não fosse aquele momento que você chega no topo de uma alta montanha em tempo de ver o por do sol. E sem motivos lagrimas escorre do seu rosto e um abraço amigo surge ao seu lado “foi por isso que nós viemos” e você responde “pois é” e durante 8 segundos você saque que aqueles tombos no caminho, a dor nas pernas e nos braços. Os momentos de sufoco e depressão que durou mais ou menos 10h, pra você chegar ali, naquele topo, naquela hora valeu apena. 8 segundo. É como usar um coturno o dia todo e, quando tirar, sentir alívio. Talvez Fernando Pessoa esteja certo, “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Quem sabe. Só depende de nós. Talvez, não iremos pedir para nos beliscar no futuro, para curtir a alucinação mais um pouco. Por que não? Fazemos isso quando vamos ao cinema, quando lemos um livro. Nos deixamos iludir e ser levados para onde quer que a história queira. Quem sabe não podemos simplesmente curtir a vida? Heh... Foi uma mensagem motivadora. Legal. Mas e dia? Acabou.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O tempo passa inerte por mim. Como uma gelatina gélida e insossa. É estranho como as cosas escorrem ao meu redor, o tempo, o espaço, o calor fumegante das ruas, o vento poeirento do fim de tarde. Nada parece estar em seu lugar exato, só e simplesmente, escorrendo. Entendo o que Salvador Dali quis dizer.
Entendo perfeitamente.
Se as coisas não estão escorrendo, estão fora de lugar, desmontadas, confusas em um cenário ermo. Como se tivéssemos que olhar profundamente e metodicamente para entender o obvio, como um galinha botando um ovo, ou uma multidão andando silenciosa por uma rua barulhenta. Por mais que se olhe, tentei entender coisas assim, elas parecem que tem algo errado, algo complexo de mais por traz de uma simplicidade.
Rorcharsch já nos mostrou que o mundo é ruim, que as ruas são lixo e que as grandes cidades fedem a imoralidade e a violência. Um belo quadro sem moldura esquecido em um galpão velho. Imperceptível por entre as teias de aranha.
Se juntarmos essa idéia de mundo com as obras do Dali teríamos o que? Uma Guernica? Sem tanto ângulos pontudos? Confuso. Pouco sei o que é mais confuso, a realidade ou a irrealidade, a arte imaterial e interpretativa do mundo ao nosso redor. A arte por si. A arte para nós, e a arte autoral. Onde esta a realidade que eu vivo?
Dali, por mais pessimista que parecesse, isso em uma interpretação minha, ainda via cores no mundo, via humor no tempo incerto e na natureza humana, Picasso já aprece um cara que desistiu. Por mais que os dois digam algo, que pode muito bem parecer profundamente elaborado e simples para se entender. É o mundo? A vida? O universo? Tudo o mais?
No fundo parece mais certo acreditar que Duchamp sabia das coisas, o mundo é a elaboração do presente em meio às poucas coisas que sempre estão ai, e a arte nada mais é que a interpretação pessoal do interlocutor ao se defrontar pela primeira vez com a obra. Bom, o menos é isso que eu interpreto ao olhar um mictório com uma assinatura. Ou um pote de merda. O tempo não escorre em uma interpretação do simples e complexo cotidiano, nem mesmo é um quarto escuro onde todos nossos pesadelos residem tudo é uma roda de bicicleta sobre uma cadeira. O tempo, o mundo, as coisas simples, a infância e as ruas, tudo está nas aspirais violentas do destino, no olhar pra baixo na rua, no perceber o detalhe da nossa existência, no absurdo completo de um salão de arte permitir tudo isso, quebrando os conceitos, elaborando não só a arte, mas o cenário, o ambiente, a profundidade disso no cotidiano, afinal, quanto tempo cada um demorou a olhar para o tal mictório e pensar, “mas que porra é essa?” e com o tempo, se sentir sorrindo, pensando nas possibilidades. Otimista, talvez. Uma arte mais otimista, mais engajada talvez. Pois, pensamos, ao olhar a imagem, quem ganhou a partida de xadrez? Porem, será que o mundo é assim? Será que eu me sinto assim? Será que a arte representa tão bem seu tempo assim? Eu realmente queria um cronometro marcado 15min para meia noite escorrendo pela parede.
E o Mondrian? Esse sim é um mago! Uma cidade, com suas partes importantes, com suas quadras precisas da modernidade remanescentes, sem mudanças, sem estagnação, precisa, métrica, bruta, e colorida. Talvez o que me incomode em Mondrian é o fato das cores quentes. Será que foi intencional? Sentir que ele quer dizer, “essa a sua cidade, vista de cima, você não é nada nela, você faz parte dos traços, ou esta escondido dentro dos quadrados, mas, em suma, você é uma formiga aos olhos de um deus maior, desinteressado e criador” talvez será um quadro para o Dr. Manhatam. Mas a cores, será que ele quer dizer, “mesmo assim, as estações mudam, e você vai ouvir os passarinhos cantarem naquela tarde ensolarada após o trabalho”.
Ia arte é algo muito complexo. Às vezes valorizamos de mais o artista, damos a ele um status que nem mesmo ele sabe que possui. Digo isso no caso das pinturas. Os livros, o cinema, os quadrinhos e musica elas tem claramente um arte mais fácil de perceber, por trás de uma técnica e estética compreensíveis. Entendemos as linhas, às vezes percebemos para onde o autor quer nos levar, fazer sentir. Não é uma arte dada, mas é uma arte assimilável com a realidade. Mas a pintura, muitas vezes, parece um improviso sem fim. Diferente da arquitetura, que você sente, compreende coisas e sentimentos aos e deparar com uma bela arquitetura, quem já adentrou alguma coisa do Niemeyer sabe do que estou falando, muitas vezes me passa pela cabeça “como?”.
Mas a pintura, recentemente, parece ter perdido sua função. Dali, Picasso, Monet, Da Vinci até o Van Gogh e suas flores estranhas, pareciam entender e impressionar mais com os quadros que a modernidade.
Uma vez, em uma galeria de arte (não sei se posso chamar o Museu Oscar Niemeyer de Museu), vi uma exposição de intuas feita por loucos em um hospício. Isso foi algo interessante, pois tinha o problema mental do individuo e seu desenho. Então vc sentia como alguém com tal perturbação via o mundo, como ele compreendia sua realidade. Sem mentiras, expressando um problema real e exclusivo. Não sei se posso ver o Mondrian da mesma forma. Não sei se tenho que interpretá-lo como alguém que tem problemas. Por que, por mais que eu tente, ele não parece ser alguém que sofreu na vida ou que tem problemas agravados de sua infância, parece só um cara que não prestava atenção nas aulas e ficava desenhando quadrados no canto do caderno, e percebeu como era bom nisso.
Isso me fez sentir o mundo mais complexo e profundo em sua simplicidade. O tempo escorrer mais devagar, e os cantos pontudos serem mais arredondado mesmo que seja um arredondado sem tanto motivo, só é por ser.