Os poucos que me conhecem bem sabem que sou um cara nostálgico. Sei que me conhecer bem não faz ninguém ser melhor que os outros, mas isso diz muito sobre o autor, e desta forma, vejo como importante informação a ser compartilhada. Afinal, se você esta dando o trabalho de ser estas linhas, significa que você, de certa forma, se importa com o que esta lendo, logo, como diria aquele homossexual do Foucault, “o autor”. (Chamo ele de homossexual não para ofender esta ilustre personalidade, mas por que, quando esse francês ia para os estados unidos, ele dava o Cu. E por dar o cu imagine qualquer coisa que um acadêmico, honrado com uma cadeira na ecole de France sendo professor renomado e considerado estabelecido, possa fazer.)
Tirando essa informação relevante, mas desnecessária, vamos ao que importa. Nostalgia.
Nostalgia é um perfume em Watchman; Nostalgia é aquele sentimento que nos faz sentir falta de algo que nos fazia feliz; Nostalgia é alquilo que criança nenhum saberia dizer o que é.
Hoje, estava eu comprando duas revistar em quadrinhos, Batman 89 e Vertigo 5. O cheiro das revistas, o Batman, a selo Vertigo, Hellblazer... quadrinhos em fim, me fazem lembrar de um tempo em que eu lia revistas do pato Donald em quanto cortava o cabelo em Laranjeiras do Sul. Esta sensação fez meu dia tão agradável e tranqüilo que em poucos momentos estava lembrando do canal manchete as 18h da noite, sentado com os amigos na cama de meus pais esperando a bateria de animes que, no futuro, formariam meu caráter, personalidade e hobbys.
Hoje, não existe mais Manchete. Nem tenho saco pra ler Pato Donald. Comprar essas duas revistas levaram ao fim o meu ultimo salário de um mês atrás. Agora, estou desempregado. A perspectiva de continuar minha coleção de revistas foi embora com a ultima passada do meu cartão magnético. Faz semanas que economizei essa grana pelas revistinhas, e agora, não poderei mais comer um lanche diferente durante a semana, nem mesmo comprar a Vertigo 6 (sei que não comprarei a Batman 90 pois o Neil Gaiman não continuara roteirando a revista) e o mundo, torna-se cinza novamente.
Claro que estou me fudendo pacaralho escrevendo minha monografia. Prazo correndo solto, alem de pensar que tenho um capitulo de um livro para escrever até o final do ano. Pode parecer tempo o suficiente para vocês, mas para um acadêmico com a fralda suja de coco, seis meses parece todo o tempo que não terei tempo para fazer isso. A falta de grana encurta as perspectivas de uma vida despreocupada. E é nesse momento que aquele sentimento de nostalgia parece se impregnar em cada coisa que se faz.
Olhar os livros na estante, ler um quadrinho após o outro. Conversar sobre desenhos animados, em fim, tudo. Tudo nos faz lembrar daquele tempo em que não precisávamos nos preocupar com tanta coisa.
Diz um provérbio que precisamos da dor para nos sentir vivos. Quando estamos sonhado, pedimos para sermos beliscados, e não acariciados. A felicidade suprema não parece real. Tudo que nos faz feliz são coisas momentâneas que se vão e ficam na saudade. Na nostalgia. É engraçado como somos escravos dessa vida cabisbaixa. Não parece haver uma solução certa para uma felicidade que não seja comprimida, pasteurizada e obsolecente. Ler revistas em quadrinhos é um momento de refugio, de fuga. De sentir-se criança despreocupada em uma ilha deserta de um mundo intocável pelas outras pessoas para que, em fim, você possa rir de alguma coisa. Se sentir bem de alguma forma. Como jogar videogame, ler romances policiais ou conversar com os amigos.
Contudo, tudo parece se invadido por aquela sensação de responsabilidade, de prazo e cobranças que o mundo lá do outro lado do horizonte pare cobrar.
Não existe panacéia.
Seremos adultos infelizes, na busca da felicidade eterna e constante. Pois sempre teremos que sacrificar aquilo que nos faz sentir bem para poder ter a possibilidade de fazer aquilo que nos faz sentir bem. Não importa ter dinheiro, não importa ter uma mulher fogosa nos esperando na cama todas as noites. Não importa um home teater em uma sala com uma teve confortável e tela plana. No fim, vamos esperar o dia todo para sentarmos na cama apertada, acender o abajur e ler, quadro a quadro o que acontecerá com o homem-morcego.
O trabalho mais legal do mundo será a rotina diária de coisas legais, e uma hora, a piada repetitiva perde a graça. Depois, ver as mesmas pessoas, começar a reparar seus defeitos e aquilo que te incomoda fará tudo parecer a mesma coisa na seqüência dos fatos. As vezes previsível, as vezes chato. E o dia será aquele em que você tomou 4, 5, talvez 12 cafés para poder agüentar tudo aquilo que você já espera.
Haverá férias, claro. Mas há férias para você viver um pouco alguma coisa nova, talvez incrível, fascinante. Aquilo que te mudará para sempre. E tudo acaba. E vira nostalgia.
A escatologia do mundo está para as coisas felizes, e não para as tristes. A religião errou o alvo. Quando tudo acabar, não iremos para o céu, iremos para um lugar que, de fato, não será tão legal quanto aqui. Pois, só o que é bom dura pouco, só o que vale a pena acaba. O resto, o resto vai estar sempre ai.
Um dia sua mulher fogosa vai estar cansada do trabalho, ou vai perguntar alguma coisa que te fará pensar muito por muito tempo. Um dia seu chefe legal vai morrer. Um dia vai acabar o café. Um dia vão construir um prédio grande na frente da sua janela e você não terá a visão agradável que você sempre gostou de ter quando estava escrevendo no computador. Um dia. Pelo simples acaso do destino, você terá um dia ruim. E como diria o Coringa, basta um dia ruim para você ficar louco.
Mas é curioso, aquela nostalgia, aquele cheiro de revista nova. Aquela sorriso do Robin, aquela sacada da Mulher gato. As frases do Comissário Gordon, as tiradas do Constantine. Fará você rir, e valerá a pena. Um dia você estará andando na rua, de mãos dadas com sua namorada, pensando que o mundo, de uma maneira fisicamente comprovada, é uma bosta. E uma outra garota, linda, do outro lado da rua vai sorrir pra você. E sem motivos aparente você vai sorrir também, e vai olhar pra sua namorada e entender por que ela te ama, e por que você a ama. E simplesmente assim, você terá um dia feliz.
A busca pela felicidade é ter uma sacada descente em um momento oportuno e sorrir sozinho. Não vejo outro motivo para ficar vivo se não fosse a nostalgia. Não fosse aquele momento que você chega no topo de uma alta montanha em tempo de ver o por do sol. E sem motivos lagrimas escorre do seu rosto e um abraço amigo surge ao seu lado “foi por isso que nós viemos” e você responde “pois é” e durante 8 segundos você saque que aqueles tombos no caminho, a dor nas pernas e nos braços. Os momentos de sufoco e depressão que durou mais ou menos 10h, pra você chegar ali, naquele topo, naquela hora valeu apena. 8 segundo.
É como usar um coturno o dia todo e, quando tirar, sentir alívio.
Talvez Fernando Pessoa esteja certo, “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Quem sabe. Só depende de nós. Talvez, não iremos pedir para nos beliscar no futuro, para curtir a alucinação mais um pouco. Por que não? Fazemos isso quando vamos ao cinema, quando lemos um livro. Nos deixamos iludir e ser levados para onde quer que a história queira. Quem sabe não podemos simplesmente curtir a vida?
Heh...
Foi uma mensagem motivadora. Legal. Mas e dia? Acabou.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
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