Aos que me conhecem bem, sabem da minha larga critica aos cabos de luz e telefone. Se existe algo desnecessário, antiquado e feio, são estas montoeiras de fios indo de um lado pro outro. Nem esteticamente eles são agradáveis aos olhos. E nós, homens do século XX, tão acostumados a esse cenário, dificilmente nos indignamos com este retrocesso. Ora, se o mundo progride, com novas tecnologias e sistemas, por que não pode a cidade, rústica e segmentada, também evoluir, mudar ou se transformar.
Para mim, ver cabos por ai nada mais é do que um conformismo nosso e das nossas autoridades em deixar as coisas como estão. É deixar visível aquilo que sempre seremos, homens e mulheres regidos e guiados por fios, e nada mais, marionetes chicoteados por um sistema tecnológico velho, que já está mais que na hora de estar ultrapassado. Com isso, nos conformamos com o mundo ao nosso redor. Sorrimos pra poluição como sendo algo que sempre foi, para a violência como algo que é e para a estupidez humana como algo que sempre será. E simplesmente nos perdemos de algo que queremos e almejamos para um mundo melhor para nós mesmo e, para os pouco egoístas, para as pessoas que virão a habitar esse lugar.
Pior cagada mesmo é quando, em vez de nos saudar com uma mudança real, escondem o velho, maquiando o novo. Como foi feito na Rua Sete de Setembro, aqui da cidade de Curitiba. Pegaram alguma boa quantidade de fios e enterraram... Sabe quem faz isso? Gatos. Gatos pegam o cocô e enterram na areia. É a mesma coisa. Não faz diferença pra mim enterrar o velho, deixe que o tempo faça isso, e que os arqueólogos possam se refestelar com uma descoberta dos primitivos homens do século XXI. Eu quero um mundo SEM cabos. Nem cabos de redes, nem tomadas, nem nada que ligue alguma coisa à outra, onde eu possa carregar meu abajur de leitura para onde eu quiser, ler onde eu estiver a fim, sem ficar levando o livro pra perto da luz.
Algo semelhante a esta mudanças de conceitos simples que regem nosso dia a dia, foi feito na Revolução Gloriosa, ou Revolução Francesa, em 1789, que o ano primeiro do novo mundo criado, juntamente com os nomes dos meses, foram alterados para não ter ligações com o antigo regime, ou com antigas culturas e religiões. Mudar o básico permite ver o horizonte com outros olhos, com novas possibilidades.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Contra tudo que esta pendurado de um poste para outro
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Achei que vc implicava com os fios por causa da sua rabugisse crônica... Mas vc conseguiu me convencer com seus argumentos bem traçados, ou embolados?
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