quinta-feira, 16 de abril de 2009

Futuro do pretérito*

- Semanas de prova. A vida começa a entrar em parafuso. Parafuso é um termo técnico para loucura diária, stressante e louca em um liquidificador. É um espaço tempo paralelo para o humor e os planos, nada mais parece ser possível. O pós semana de provas simplesmente nunca virá, como se nossa vida encurtasse ao ponto de que, o futuro se torna imperceptível, somente aquele dia final da prova, aquele dia da ultima prova, que você teve que ler 100 paginas para fazê-la, perdendo horas de sono e produtividade no trabalho. O mundo começa a girar em um sopro de insanidade e perturbações.
- Tive um sonho que me levava para o futuro, e ele era um papel em branco para colocar meu nome.
- Lembro quando estava no colégio, fazia 10 provas: matemática, português, inglês, química, biologia, física, história, geografia, educação física, artes, e eram tranqüilas, podia fazer uma por dia, duas as vezes, quem sabe 3? E lá íamos nós, líamos 2 capítulos, e respondíamos com x varias opções, as vezes, em situações mais complicadas, escrevíamos, mas lembro que não sentia que o mundo ia acabar, parecia simplesmente que no fim, eu ia passar de ano. Ou seja, eu ainda tinha alguma perspectiva de futuro. Agora, tenho 4 ou 5 provas, centenas de textos para ler, e a certeza que depois, nada mais virá.
- Sonhei que eu lia um livro, e as paginas não tinham nada mais que uma assinatura em vermelho e um numero escrito de forma incompreensível no canto superior direito.
- Ontem mesmo eu fui fazer uma prova, não havia conseguido ler todos os textos, vi a professora entregando as folhas de provas para os colegas do outro lado da sala, veio na minha cabeça um mundo preto e branco, forcas e guilhotinas por todos os lados, e a possibilidade de pagar 25 reais e refazer a prova. Visualizei minha carteira sem dinheiro e meu corpo inerte em duvida em ir em direção a uma forca ou uma guilhotina, e um forjo com estacas, que eram na verdade canetas, se abrindo sobre meus pés, e eu na duvida se caia nele ou simplesmente saia dali e dava um jeito nisso tudo. Para meu susto, minha amiga a minha frente, também estava nervosa com a prova, por um lapso de momento, naquele cenário caótico de tortura e dor, com cordas e laminas, eu vi um vulto que poderia ser ela, ou um outro eu também em duvida. Vai saber? E juntos saímos da sala.
- Não sei se fiz certo ou errado, já esta feito, agora terei que achar grana para refazer a prova, uma grana que deveria ser usada para engrossar as fileiras de filmes e livros na minha estante, e agora, se perderá em um tufão que acabou culminando em minha saída daquela sala.
- Acordei de um estranho sonho quando eu saia da minha carteira, pisava em um tapete branco, que aprecia ser feito de papel, e via atrás das montanhas um sol se elevando sobre um dia nublado. Parecia que, em meio as lisas nuvens brancas tinha algum rabisco feito em caneta vermelha. Abri meus olhos e percebi algo importante. Preciso, urgentemente, ir para uma montanha.

*Eu sei que existe uma história do Batman com esse nome. Eu adorei a idéia da frase.

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