As forças da natureza se reúnem na intenção de mudar as coisas. Em meio a uma discutição acalorada sobre a vida e a morte, as peripécias e nuançais das próprias escolhas dos seres humanos e tudo mais, houve a necessidade de se chegar a uma conclusão. O debate se resume a duas opiniões: Uma grande catástrofe natural e a criação de algo novo. A quirela se esquenta. Os dois lados simplesmente não se entendem. A administração da época, querendo evitar o conflito maior, pede algo mais sutil. Criar algo novo sempre cria polemicas futuras, afinal, em vez de mudar, às vezes, o fato de algo novo ter surgido torna-se mais interessante do que o próprio algo em si. Por outro lado, uma grande catástrofe faz muita bagunça, muitas vezes são esquecidas com o tempo, e se não forem, a bagunça é bem maior.
Desta forma, um ardiloso e sorrateiro, ou talvez, sábio e sagaz, integrante da reunião sugere a possibilidade de um plano que pode ser algo simples e talvez eficaz, poderia se passar desapercebido e/ou mudar tudo de maneira drástica. Das duas formas, não custava nada tentar. A reunião ficou curiosa com a proposta, todos ali gostavam de sutilezas.
Quando o pequeno se adianta a frente de todos, e fala “Vamos quebrar um pente!”, alguns levam a mãos a boca, outros aplaudem entusiasticamente, certos sujeitos simplesmente ficam em pé, alguns soltam um pequeno sorriso no canto dos lábios, outros proclamam ser absurdo, mas a maioria pergunta para os colegas mais próximos “o que foi que ele disse?”. Por fim, após algumas especulações maiores, o pequeno esmiúça seus planos a todos: seria um único pente, quebrado de maneira incerta na Bulgária. Todos na reunião gostam da palavra incerta, mas nem todos da Bulgária, então trocaram por Suíça. A seqüência de fatos seriam deveras especulativas e tediosas, desta forma, ninguém prestou muita atenção, e somado ao bom discurso, com as palavras certas e o cansaço de todos, a proposta foi aprovada. E assim, tudo se inicia.
Suíça. “Todo mundo na casa falava o que pensava, e entendia o que todo mundo pensava. Não por um estudo cuidadoso e sim por efusões espontâneas da alma. Era uma pequena utopia, um estado de pura transparência.”* Ali, um garoto havia sido adotado a alguns anos. Sua vida se regeu pelas regras da casa, e viveu feliz até o fatídico dia. Sempre amou sua família, e respeitava esta liberdade que tinha. Em volta dele, havia algo que o mundo lá fora negava, algo que ele acreditava como sendo a verdade e a sinceridade. Importantes fundamentos para uma vida. Um dia, quando todos saíram de casa, e ficou somente o garoto, Jean, algo aconteceu. O garoto não percebeu, ninguém percebeu. Não havia o que ter percebido, mas aconteceu. E assim, quando todos voltam, a conseqüência dos atos do que aconteceu se revelam traumáticas e transformadoras. Um pente foi quebrado na estante.
Ao verem o pente quebrado, todos perguntam quem foi que quebrou o pente, e todos ali tinham um álibi, até mesmo Jean, porem, ele era o único em casa. E se alguém poderia ter quebrado o pente, só poderia ter sido ele. As conversas começam, ninguém liga para um pente quebrado, mas para as regras, onde todos poderiam ser sincero e falar a verdade sem medo. E, se o jovem Jean não iria falar que quebrou o pente, seria um desvio da regras. No entanto, ele esta tão convencido de sua verdade, de que não havia sido ele que. Ele não iria mentir para as pessoas que amam pois, falar que havia sido ele, seria violar as regras em que acreditava e nas quais fora educado. Assim surge um conflito da impossibilidade de se firmar uma lógica. Para a família não havia como não ter sido ele, e para ele, não havia como ter sido ele. Com o conflito, houve a punição, e o jovem Jean apanha de seus pais, vendo as lagrimas de sua mãe a fazê-lo, seus irmão ficarem horrorizados com o ato, tão raro sobre aquele teto. Talvez ele ainda lembra-se das palavras de sua mãe “Não queria fazer isso Jacques, não queria.” Ele acreditava nela, ela só o chamava de Jacques quando queria pedir algo, ou desculpas ou algum favor, era uma forma carinhosa de ser tratado.
E, ali, há uma mudança na ordem as coisas.
O garoto descobre que existem duas verdades, a que ele diz, e a que ele é. E não importa como a sociedade seja, sempre haverá diferenças. Não existe transparência completa, sempre haverá obstáculos. Para o mundo surgiu uma nova forma de pensar o homem e a sociedade. Para a família Rosseau, uma solução paliativa para um problema sem muita importância.
Este texto foi inspirado em um acontecimento real, na vida de um autor real. Porem é uma ficção. Obviamente.
*Trecho retirado da obra “História e Literatura” de Robert Darnton
Desta forma, um ardiloso e sorrateiro, ou talvez, sábio e sagaz, integrante da reunião sugere a possibilidade de um plano que pode ser algo simples e talvez eficaz, poderia se passar desapercebido e/ou mudar tudo de maneira drástica. Das duas formas, não custava nada tentar. A reunião ficou curiosa com a proposta, todos ali gostavam de sutilezas.
Quando o pequeno se adianta a frente de todos, e fala “Vamos quebrar um pente!”, alguns levam a mãos a boca, outros aplaudem entusiasticamente, certos sujeitos simplesmente ficam em pé, alguns soltam um pequeno sorriso no canto dos lábios, outros proclamam ser absurdo, mas a maioria pergunta para os colegas mais próximos “o que foi que ele disse?”. Por fim, após algumas especulações maiores, o pequeno esmiúça seus planos a todos: seria um único pente, quebrado de maneira incerta na Bulgária. Todos na reunião gostam da palavra incerta, mas nem todos da Bulgária, então trocaram por Suíça. A seqüência de fatos seriam deveras especulativas e tediosas, desta forma, ninguém prestou muita atenção, e somado ao bom discurso, com as palavras certas e o cansaço de todos, a proposta foi aprovada. E assim, tudo se inicia.
Suíça. “Todo mundo na casa falava o que pensava, e entendia o que todo mundo pensava. Não por um estudo cuidadoso e sim por efusões espontâneas da alma. Era uma pequena utopia, um estado de pura transparência.”* Ali, um garoto havia sido adotado a alguns anos. Sua vida se regeu pelas regras da casa, e viveu feliz até o fatídico dia. Sempre amou sua família, e respeitava esta liberdade que tinha. Em volta dele, havia algo que o mundo lá fora negava, algo que ele acreditava como sendo a verdade e a sinceridade. Importantes fundamentos para uma vida. Um dia, quando todos saíram de casa, e ficou somente o garoto, Jean, algo aconteceu. O garoto não percebeu, ninguém percebeu. Não havia o que ter percebido, mas aconteceu. E assim, quando todos voltam, a conseqüência dos atos do que aconteceu se revelam traumáticas e transformadoras. Um pente foi quebrado na estante.
Ao verem o pente quebrado, todos perguntam quem foi que quebrou o pente, e todos ali tinham um álibi, até mesmo Jean, porem, ele era o único em casa. E se alguém poderia ter quebrado o pente, só poderia ter sido ele. As conversas começam, ninguém liga para um pente quebrado, mas para as regras, onde todos poderiam ser sincero e falar a verdade sem medo. E, se o jovem Jean não iria falar que quebrou o pente, seria um desvio da regras. No entanto, ele esta tão convencido de sua verdade, de que não havia sido ele que. Ele não iria mentir para as pessoas que amam pois, falar que havia sido ele, seria violar as regras em que acreditava e nas quais fora educado. Assim surge um conflito da impossibilidade de se firmar uma lógica. Para a família não havia como não ter sido ele, e para ele, não havia como ter sido ele. Com o conflito, houve a punição, e o jovem Jean apanha de seus pais, vendo as lagrimas de sua mãe a fazê-lo, seus irmão ficarem horrorizados com o ato, tão raro sobre aquele teto. Talvez ele ainda lembra-se das palavras de sua mãe “Não queria fazer isso Jacques, não queria.” Ele acreditava nela, ela só o chamava de Jacques quando queria pedir algo, ou desculpas ou algum favor, era uma forma carinhosa de ser tratado.
E, ali, há uma mudança na ordem as coisas.
O garoto descobre que existem duas verdades, a que ele diz, e a que ele é. E não importa como a sociedade seja, sempre haverá diferenças. Não existe transparência completa, sempre haverá obstáculos. Para o mundo surgiu uma nova forma de pensar o homem e a sociedade. Para a família Rosseau, uma solução paliativa para um problema sem muita importância.
Este texto foi inspirado em um acontecimento real, na vida de um autor real. Porem é uma ficção. Obviamente.
*Trecho retirado da obra “História e Literatura” de Robert Darnton

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