- Então pra que time ‘cê torce? Já que nada da cidade presta, não vá me dizer que é time de fora?
- Mas claro que não! Sou Operário desde criancinha.
- Mas eu também!
- Ta brincando?
- Tenho a carteirinha aqui pra provar!
- Eu também!
Então um outro da uma risada e fala:
- Aposto que vocês já pagaram pro clube do Coxa.
- Eu já. Depois da partida do trem fantasma, agente tem que torcer pra alguém.
- Pois é. Pro Atlético eu não pagava.
- Eu também paguei pro coxa. – Diz o outro recostado na cadeira.
- Eu pro Paraná. Acreditava nele.
- Mas bom mesmo era o trem. Lembra o primeiro.
- VIVA O TREM FANTASMA! – Brande o outro com o punho fechado em um soco fixo no ar.
- Eu não torci pro Trem por causa dele ser de fora da cidade.
- Eu também. Preferia o Coxa.
- O Paraná era promissor... uma pena, uma pena mesmo.
...
--- Minha coxinha acabou e eu já tinha bisbilhotado de mais a conversa dos senhores. E pensei “cara, eu gostaria de ter uma camisa do bom e velho Trem Fantasma. O terror do campeonato paranaense.”
--- E também fiquei com aquela pulga na orelha... “Pra que merda serve torcer para um time da sua cidade? Existe isso no pensamento futebolístico? Parece uma forma de preconceito xenófobo”

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