sábado, 28 de novembro de 2009

E o futebol?

--- Sentado comendo uma coxinha com frango e catupiri em um boteco ao lado do cemitério municipal, o único almoço que meu salário pode pagar diariamente. Escuto um trecho de conversa entre 5 velhos, senhores da velha guarda curitibana, ouso dizer paranaense, em uma acalorada discussão sobre futebol, o bom futebol de uma elite curitibana. A conversa me lembrou uma passagem do filme “Há tanto tempo que te amo”, sob a direção de Philippe Claudel, onde em um momento quatro amigos franceses começam a discutir futebol e um critica o time do outro pelo numero de brasileiros que clube possui. --- Os 5 velhos tinham o mesmo discurso, porem, com o numero de cariocas e paulistas que o time paranaense tem. Sou um leigo em futebol, sei por que um impedimento acontece, mas por que as pessoas ficam 90 minutos ou mais naquela correria ainda é um mistério para mim. Enfim para eles, o único time descente da cidade era o Paraná Clube, já que nele tinha o menor numero de migrantes, por outro lado, o time era uma bosta já que esta na segunda divisão. Porem, torcer para o atlético era uma ofensa a moral e aos bons costumes. O que sobrava o coxa, porem, ele não estava nas melhores partidas e o time também tinha a mancha negra de jogadores falando bixcoito. Em um momento, um dos velhos que estava de pé, bebendo um café aguado no balcão indaga.
- Então pra que time ‘cê torce? Já que nada da cidade presta, não vá me dizer que é time de fora?
- Mas claro que não! Sou Operário desde criancinha.
- Mas eu também!
- Ta brincando?
- Tenho a carteirinha aqui pra provar!
- Eu também!
Então um outro da uma risada e fala:
- Aposto que vocês já pagaram pro clube do Coxa.
- Eu já. Depois da partida do trem fantasma, agente tem que torcer pra alguém.
- Pois é. Pro Atlético eu não pagava.
- Eu também paguei pro coxa. – Diz o outro recostado na cadeira.
- Eu pro Paraná. Acreditava nele.
- Mas bom mesmo era o trem. Lembra o primeiro.
- VIVA O TREM FANTASMA! – Brande o outro com o punho fechado em um soco fixo no ar.
- Eu não torci pro Trem por causa dele ser de fora da cidade.
- Eu também. Preferia o Coxa.
- O Paraná era promissor... uma pena, uma pena mesmo.
...
--- Minha coxinha acabou e eu já tinha bisbilhotado de mais a conversa dos senhores. E pensei “cara, eu gostaria de ter uma camisa do bom e velho Trem Fantasma. O terror do campeonato paranaense.”
--- E também fiquei com aquela pulga na orelha... “Pra que merda serve torcer para um time da sua cidade? Existe isso no pensamento futebolístico? Parece uma forma de preconceito xenófobo”

Nenhum comentário:

Postar um comentário