quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Meu amor, minha vida: O crime - 1

Sou um inveterado adorador de Romances Policiais e Livros de Espionagem. Gosto muito mesmo. Sou um fã de ficção cientifica também, penso em ler alguns clássicos perdidos, mas o Romance Policial perpassa minha sede de leitura, vindo desde a infância com aquela coleção “Salve-se quem puder!” e os livros do Doyle que meu pai me dava, até hoje, onde estou relendo Agatha Christie e Jhon Le Carré.
Nunca gostei da Christie, adimito. Quando era novo, uma amiga me passou um livro para ler, com o famoso belga de bigodes empinados, Hercule Poirot. Porem, ele se colocou como sendo melhor que o bom e velho Sherlock Homes! Inadmissível para mim, ninguém supera o Homes. Ele tem classe, estilo, alem de um método muito surpreendente. Depois daquele livro da senhora Christie, nunca mais toquei em nada dela. Hoje, porem, dei uma segunda chance, e valeu a pena. O primeiro dela que comprei para ler foi um, que só depois descobri ser um dos mais famosos dela, “O assassinato no Expresso Oriente”. Brilhante! Não somente o trem, mas toda a história, E o tal Belga me cativou, mandando um homem a merda com toda sua pompa vitoriana. “- Se me desculpar a observação pessoal, eu não gosto da sua cara, Monsieur Ratchett.” CARALHO! Pirei quando li essa frase. O trem era muito bem descrito, até fiquei com vontade de atravessar a Europa nele. Quase desvendei o final de maneira exata, acertei bons palpites, mas não conseguia validar minha teoria, que se provou verdadeira no fim. Com alguns equívocos. Mas foi legal. E a autora da cada detalhe, descreve cada prova, crime e envolvidos de maneira exemplar o que facilita para percebermos todas as possibilidades. Ela omite algumas coisas, revelando somente próximas do fim quando o crime já esta praticamente solucionado, e que muda tudo! Uma forma de manter o final surpreendente, mas faz pessoas como eu, que querem desvendar o crime antes do fim, de mãos atadas com o próprio final.
Agora, estou lendo um que não tenha nenhum detetive famoso da autora, somente para ver como ela escreve de verdade, sei lá, acho importante ver se ela vale a pena para se continuar lendo sua obra. Comprei “Um brinde de Cianureto”, escolhi esse pelo titulo, acho o Cianureto um veneno tão vitoriano, tão curioso e fatal que um assassinato envolvendo ele deve dar pano pra manga. E dá.
O livro não possui detetives, somente pessoas querendo lembrar de uma morte à um ano atrás. Que na verdade foi tida como suicídio, mas as pessoas próximas a vitima começam a desconfiar que ela nunca seria capaz de tal ato, alem de algumas provas que apareceram com o tempo que fizeram questionar a validade da pericia. E assim, no bom e velho exercício de massa cinzenta, provas começam a vir a tona.
O facinante é a construção de personagens, ao todo, 8, e mais alguns quadjuvantes. E todos com sua personalidade única e característica exclusiva. Vilões inveterados, pessoas bondosas e inocentes que cogitam a possibilidade de assassinato, malandros espertos, e pessoas integras desiludidas com a vida, e todas, com motivos para matar a moça! Cada capitulo, com o nome de um personagem começa com “Mrs. X também pensava sobre aquele dia” ou “Sr. X lia o jornal, mas não conseguia parar de pensar em...” muito legal! E nós, dentro da mente de cada um descobrimos coisas doidas sobre cada um, que, na lembrança do outro, no capítulo seguinte ou anterior, desmente essas características ou cria novas que o próprio personagem não sabe que pensam isso dele. E as pessoas interessadas em descobrir o crime nada sabem sobre esses pensamentos, somente algumas provas perdidas em roupas antigas da falecida.
Agora (eu ainda não terminei de ler) apareceu um Coronel Race, que foi membro da M.I. 5 uma espécie de inteligência do exercito, que entende das coisas e esta começando a raciocinar e descobrir, pelas provas e relatos dos interessados as possibilidades de quem é o assassino. Fica fumando seu charuto e pensando.
O legal deste livro é que meio tenta dizer que qualquer um pode ser um detetive e desvendar casos particulares, usando a massa cinzenta, qualquer um pode desenvolver esse misterioso poder dos detetives dos romances.
No livro há frases maravilhosas como “Ninguém se da ao trabalho de refletir sobre as pessoas de sua família, como elas realmente são. Seus familiares simplesmente são, mas o que eles realmente desejam, o que realmente fazem deles pessoas, passam desapercebidos aos nossos olhos, sendo somente seu pai, sua mãe, sua irmã, seu irmão”. Uma verdade muito dura, mas verdadeira. Eu já parei para pensar sobre o que define minha família como indivíduos, mas parei. Na verdade, eu não quero saber, talvez não interesse, o que importa é que são minha família e eu os amos, a qualquer custo.
Ou boa frase é “Ela é o tipo de mulher que tem que ouvir ‘eu te amo’ todos os dias no café da manha”. Explodiu minha cabeça esta frase. Renovando conceitos sobre relacionamentos e mulheres.
Uma característica da autora, presente neste dois livros lidos até agora, é uma pitada de Dostoievski, não sei ela leu ele, ou ele leu ela, ou se são contemporâneos, e não estou afim de validar essa informação agora. Mas os dois trabalham com a psicologia das nacionalidades. Tipo, um italiano usaria uma faca, um inglês veneno, um alemão armas, como os americanos. E segue sempre descrevendo a atitude das pessoas pela sua nacionalidade e condição social. Dostoievski, no seu livro “O Jogador” sempre coloca o caráter das nacionalidades numa mesa de roleta e nas intenções deles com as mulheres. Christie também, havendo frases como “Se foi usado uma faca, foi uma mulher! – Mas foram 12 facadas – Então foi um italiano!” como se isso definisse tudo. O que é bem legal de ler, para nós, brasileiros, uma etnia tão misturada onde descendentes de tudo andam por ai. Surge boas piadas e brincadeiras.
Em fim, Estou me deleitando com os livros da Agatha Christie, e Poirot tornou-se meu detetive belga favorito.
obs.: Pretendo fazer criticas literarias de contos policial sempre que achar que devo fazer uma.

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