domingo, 13 de dezembro de 2009

Resenha - Into the Wild

Na Natureza Selvagem
Direção e roteiro: Sean Pen
Ator Principal: Emile Hirsch
Contem Spoylers a rodo, como oo final do filme, por exemplo.
Acabei de ver “Into the wild”, dirigido e roteirado por Sean Penn.
Pensei em fazer uma resenha, durante todo o filme fui pensando em como fazer. Desejando também seguir o caminho de Christoher Johnson McCandless. Cada acontecimento, os planos, a perseverança. Todo jovem de 20 e poucos anos se sente tocado. Ainda mais eu, que sou montanhista de longa data, já quis me refugiar nas montanhas durante meses para não me preocupar.
Muitos filmes falam sobre viajar pelos estados unidos, cruzar de Nova York a Califórnia. Sentir a poeira do asfalto, viver. Mas ir para o Alaska, somente duas pessoas, Alex SuperAndarilho” (codinome do personagem do filme) e Homer Simpsons, mas não vamos comentar sobre ele agora.
Alex é um mito. Maior que Tyler Durden, Clube da Luta, que reforça a violência humana e a estupidez com base no consumismo, no egoísmo e no narcisismo. “Into the wild” é mais que isso, é o bom selvagem moderno, não é o confronto com nos mesmo, mas encontrar nossa essência maior na liberdade puramente solitária. Aquela que sentimos ao cantar alto no meio da rua, ou rir de nos mesmo, ou terminar de ler um livro deliciosamente bom. Chorar pela conquista de um amigo. Conquistar um morro desejado. Ser simplesmente feliz.
A cada passagem do filme, a cada personagem característico que encontra e é tocado pelo jovem, movido, trazido para confrontar sua própria realidade e aprender algo, aprendemos as setas de um mapa precioso. Ao mesmo tempo em que as personagens aprendem algo com o garoto, nos também aprendemos com aquele maltrapilho barbudo com cara de Che Guevara.
Os problemas familiares, a relação da irmã com ele. O termino da faculdade, as referencias aos autores que ele tanto admira e os lê, freneticamente, para validade sua obsessão. Tudo muito bem escrito e justificado, dão base ao filme. Os olhares dos personagens para as câmeras, as narrações em off, as citações. Tudo trazem um brilhantismo psicológico ao filme, tudo nos faz crer que o filme está sendo feito para nos, para nos dar um recado. Um recado forte, quase impossível de entender. Afinal, por que um garoto de 21 anos iria largar tudo e partir rumo ao Alaska, sem avisar ninguém, nunca avisar alguém de sua familia e ficar lá 2 anos?
O interessante é toda o percurso, o que ele aprende, o que ele vive. Ele chega quase ao México. Trabalhando, aprendendo com pessoas a arte de viver, confrontando suas idéias sem nunca esquecer o que realmente deseja, um desejo maior que ele. Um objetivo mais importante que tudo. E ele o segue até o fim seu sonho.
Todo o filme é base em fatos reais. Na vida de Christofer Johnson McCandless. Com isso, esperava um final feliz, que me cativaria a sorrir a tentar também. Viver no meio selvagem. Assim que eu me formar. Mas ele nos brinca com um final brilhante.
A história leva nosso herói moderno a explorar os limites da sua vida, indo contra a lei e a ordem quando elas impedem de realizar seus feitos. Ele experimenta a vida, com todo o direito de fazê-lo. Trabalhando como piloto de uma colheitadeira gigante, conversando com o patrão sobre a vida, sobre os seus objetivos e sobre a sociedade corrupta. Vendo-o ser preso por um cerco policial incrível em quando mijava. Faz Hafting sem nunca antes ter entrado em uma canoa, sem capacete, e seguir remando até o México. Conhecer um casal Hippie, pegar carona com eles, e ajudá-los a resolver seus problemas. Alem dele superar seu medo de água.
Ele também se apaixona por uma vizinha dos Hippies, depois de uma epopéia de acontecimentos em que ele volta a encontrá-los Mas mantém sua postura de super-homem, e novamente nos ensina alguns valores norte americanos padrões. Segue na estrada novamente e encontra um velho que lhe conta sua história e ele a dele. Ficam amigos, aprende a curtir e a pirografar em couro, também lhe ensina o valor de perdoar. O velho pede para que o garoto seja adotado por ele, e ele diz que conversarão depois que ele voltar do Alaska.
Tecnicamente a ultima pessoa cativada por ele é o homem que lhe da carona até o Alaska, no meio da neve, numa das primeiras cenas do filme, e lhe dá umas botas para o caso dele afundar na neve.
Todos que Alex encontra possuem histórias marcantes, vidas sofridas e sedimentadas em dor e conceitos formados. Que são tocados pelo conhecimento e vontade do garoto, que vai ao Alaska fugir disso tudo. Todas sentem a presença dele em suas vidas, e todos sentem que marcaram sua vida.
Ele encontra o Ônibus Mágico, onde mora por quase quatro messes, depois de quase dois anos longe de casa. Ali ele estabelece seu ninho no meio na natureza. Nele ele caça, dorme e escreve suas anotações diárias, re-le seus velhos clássicos, e vive a vida como imaginou, sem titubear um momento. Porem, quando lembra de tudo, com um pouco de fome, decide voltar, mas não consegue. Pois o rio está muito cheio, e ele se encontra cercado pela natureza. A fome fica mais forte, e ele encontra a resposta em seus livros. E na caçada por vegetais comestíveis, confunde uma raiz comestível com uma venenosa, causa paralisia, intoxicação e inanição, e é fatal, e não existe tratamento.
Como o filme é baseado em fatos reais, vocês espera que ele saia bem. Que ele viva feliz. Pois ele conta a história, a história é dele. No entanto, a dor e sofrimento fazem ele olhar o céu, e lembrar da fala do velho. E ele fala o que ele sente. O que ele pensa. Uma frase linda e cativante, justificada por, provavelmente, sua ultima anotação “a felicidade só é verdadeira quando compartilhada”. E a câmera sai do ônibus mágico. E o letreiro sobre. E eu chorei. Como choro agora, quando termino de escrever isso.
O filme é lindo, cativante a qualquer um que deseja a felicidade como caminho ideal e a liberdade como meta. Não as vendo como conceitos abstratos em uma sociedade estranha. Mas como tangíveis e possíveis. Nada manos que a felicidade, nada mais que a liberdade.
Depois de ver o filme sentei aqui, e escrevi.

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